10.12.20

Vamos Nos Divorciar

Vamos Nos Divorciar || Disponível a partir do dia 10 de dezembro de 2020 
Crítica por Raisa Maris

Imagem: Reprodução

Na cena de abertura de “Vamos nos divorciar!” vemos Masha, uma médica ginecologista, (Anna Mikhalkova) correndo enquanto fala apressadamente no celular sobre uma paciente que é alérgica a certos medicamentos, mas que precisa ser atendida. A personagem está tão focada na ligação que, ao chegar em um ginásio de natação, percebe que esqueceu de colocar seu maiô na mochila e por conta disso, teve que participar de uma competição de natação com seu marido Misha (Anton Filipenko) e seus filhos de calcinha e sutiã. No final do mesmo dia vemos Masha tão concentrada em adivinhar o diagnóstico do paciente de um programa que ela assiste, enquanto se prepara para dormir que ela não percebe o quão aborrecido está o seu marido por ela ter aceitado trabalhar em mais uma clínica durante os finais de semana, o que faria com ela ficasse (ainda mais) ausente da família. 

De início, então, o filme parece contar a história de uma mulher tão dedicada e focada no seu trabalho que ela se esquece de seu marido e de seus filhos. Entretanto, o filme vai pouco a pouco jogando algumas dicas para a audiência de que na verdade a história é mais profunda do que isso. Descobrimos que Masha trabalha tanto, pois eles têm um grande pagamento da hipoteca da casa para fazer e Misha está desempregado, e foi justamente por isso que ela aceitou mais um trabalho em outra clínica. O filme consegue tratar com leveza temas mais delicados como o divórcio e traição, mas nem sempre tem êxito nisso. 

Imagem: Reprodução

Por exemplo, na cena em que ela descobre que seu marido tem uma amante acaba sendo mais frustrante do que engraçada porque ela de início não consegue entender que seu marido a está deixando por uma personal trainer chamada Oksana (Anna Rystsareva) muito mais nova do que ela mesmo quando os sinais são absurdamente claros. Entretanto, numa determinada cena Masha esquece de ir buscar os filhos na escola porque estava bebendo com as amigas após descobrir que Misha foi embora e a cena dela na Delegacia tentando pagar propina para o policial para que ele não chame o serviço social aborda um tema muito delicado mas ao mesmo tempo é muito bem atuada e engraçada. 

Um grande triunfo do filme é que ele não vilaniza nenhuma personagem mas por vezes Masha é retratada com alguns clichês como a dependência de um homem e um apego incondicional a um casamento que já acabou. Apesar disso, o final consegue mostrar um lado do divórcio como algo que não representa uma derrota pessoal para dois indivíduos, e sim a possibilidade de um recomeço para cada um.

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