30.12.20

Outras palavras para o amor || Lorraine Zago Rosenthal

(Sinopse do livro)


Esse é um dos livros que peguei por acaso da estante; que estava procurando algo para ler e ele me saltou aos olhos. Primeiro me interessei pela obra em inglês, comprei o livro para ler, mas foi ficando. Daí consegui a versão em português e a minha intenção era fazer uma leitura dupla, para aprimorar o inglês. Mas adianto que só li a nossa versão mesmo, porque ela estava tão fluida que fiquei com medo de perder o ritmo lendo em outra lingua. Isso é só para contextualizar, a parte importante começa agora. Outras palavras para o amor é um livro antigo, de lançamento, que se passa nos anos 1980. Nessa época o mundo vivia o medo da AIDS, uma doença misteriosa que rapidamente debilitava e matava; sem cura e sem tratamento eficaz. Ari Mitchell narra o livro em primeiro pessoa e acompanhamos o seu primeiro amor e os desdobramentos dessa relação.


A Ari é uma menina tímida, tentando se encaixar em algum grupo na escola e que tem uma melhor amiga, Summer, bonita e popular. Quando um tio morre e deixa uma herança para a familia de Ari, a vida dela muda. Ela vai para um escola particular e privilegiada, passando a conviver com pessoas de um padrão diferente do seu. Nessa escola ela conhece a Leah, uma menina que perdeu o namorado e está passando pelo luto. Leah é bem de vida, frequenta lugares que Ari nunca foi, e é através dela que Ari conhece Blake. Ele é primo de Leah e já está faculdade estudando direito para seguir os passos do pai. Contrariando as expectativas de Ari, que nunca esperava que um menino tão bonito e bacana como Blake se interessasse por ela, eles passam a sair e namorar. Só que esse relacionamento vai mexer com a vida de Ari de uma forma que ela nem imaginava.



A AIDS foi o primeiro assunto que me interessou no livro logo de cara. Só que a autora escolheu deixar isso no ar da narrativa. A doença está lá, só que não envolve nenhum personagem particularmente. Como outros assuntos me envolveram, não senti falta que esse tema fosse mais ativo. Além da AIDS, o livro também vai falar sobre depressão pós-parto em uma época que não existia tratamento e a doença nem tinha esse nome. Ari tem uma irmã mais velha chamada Evelyn, que engravidou cedo e se casou com um bombeiro para o desespero da mãe, que esperava um futuro diferente para a filha. No momento em que o livro se passa a Evelyn acabou de ter o segundo filho e todo mundo está pisando em ovos com ela, com medo que ela possa ter um novo "surto" e vá parar no hospital psiquiátrico. Eles falam sobre a doença de uma forma diferente do que conhecemos hoje porque ela não existia. 


A depressão pós-parto afeta a relação que a Evelyn tem com toda a família, incluindo a própria irmã. Ari tem uma queda pelo cunhado e cuida dos dois sobrinhos, mas como Evelyn não está bem, vê na irmã mais nova uma ameaça para o casamento. Elas só vão se entender quando Ari arruma um namorado, Blake, e Evelyn passa a dar conselhos sobre homens e assuntos íntimos. Acabamos descobrindo que a Evelyn foi mais consciente de suas ações do que a mãe imagina. Ela também melhora quando passar a fazer um tratamento psiquiátrico inicial. A relação das três mulheres dessa família é complexa devido a tantas expectativas que a mãe tem sobre as meninas. A mãe é outra personagem interessante, que busca lidar com a frustração de ser mãe e professora e não uma grande escritora.



Já que com a irmã mais velha não deu, o que a mãe faz? Aposta todas as suas fichas em Ari, a filha boa aluna e artista, desenhista no caso. Só que novamente para o desespero da mãe, Ari está envolvida com um garoto e ela já pensa no pior. O Blake é o primeiro namorado de Ari e ela está em êxtase. Finalmente alguém a notou e ela decide aproveitar ao máximo, até demais. Ela quer tanto viver uma relação que se anula, passa a viver em função do Blake e deixa a própria vida de lado. Até que algumas pessoas interferem e eles passam um tempo separados. A Ari não consegue lidar bem com isso, mente, para de estudar, praticamente de viver e se mete num problemão quando se envolve com um cara sem proteção. A pior consequência desse relacionamento é que a Ari desenvolve uma doença psicológica, que também não tem o tratamento que tem hoje. Foi tudo em excesso que ela não aguentou.


Gostei bastante do livro. Ele começa meio morno, mas logo me vi envolvida com a Ari e sua família. Ela passa por muitas mudanças, cresce, e isso é doloroso. O tom dele é melancólico, com essa doença matando as pessoas rondando tudo, e todos os problemas que a Ari se mete por causa da primeira paixão. O interessante é ver ela se reerguendo; depois de estar lá no chão, ela assume sua vida e segue os passos que ela deseja e não os da família. O final do livro tem o mesmo tom da narrativa, triste pelo que foi perdido e dito, dos problemas que Ari teve com a irmã, mãe, amigas, mas a vida segue. Se tem algo que a gente sabe que continua independente de estarmos prontos ou não é a vida. Essa é a lição que Ari aprende e a autora passa com o livro. Apesar das cicatrizes, vamos ficar bem.


Outras Palavras Para O Amor 
Lorraine Zago Rosenthal
Galera Record: Instagram/Facebook

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