8.12.20

O Texto

O Texto || Disponível a partir do dia 10 de dezembro de 2020 
Crítica por Marcelino Nobrega

Imagem: Reprodução

Baseado em um best-seller russo de Dmitry Glukhovsky, este filme do diretor Klim Shipenko é um agradável exercício de suspense e dupla identidade, envolvendo assassinato, culpa, redenção, crime e castigo (tinha que ter um pouco de Dostoievski na jogada, é um filme russo!). 

Mas não é para tanto, o roteiro não chega aos picos de genialidade do genial russo Dostoievski do século XIX. É baseado em um best-seller e foi feito para entretenimento: suspense, violência e sexo. Um estudante é alvo de abuso policial e por causa disso passa sete anos na prisão. Ao conseguir a liberdade, sua vida anterior não existe mais e ele vai atrás do policial que o prendeu, até para saber o porquê de terem destruído sua vida, com provas forjadas de tráfico de drogas. Nesse encontro, o jovem Ilya Goryunov entra em luta corporal com o agora tenente Pyotr Khazin e acaba-o acidentalmente assassinando. No desespero da situação, esconde o corpo e fica com o celular da vítima. Aí é que entra a parte interessante da estória, xeretando no aparelho telefônico, ele acaba se fazendo passar pelo seu antigo algoz, estabelecendo relações online com os pais do Pyotr, sua namorada, seus clientes de drogas e com a Máfia. 

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Essa relação online muda a vida do Ilya e ele se apaixona pela namorada do tenente desonesto, Nina. Com os vídeos, fotos, mensagens, textos, arquivos do celular, ele cria uma vida que não existe e uma nova personalidade, fugindo da realidade que o cerca e da solidão que o permeia. Essa vida virtual o satisfaz até que ele deixa a realidade entrar no seu mundinho e aí a violência volta a cercá-lo com consequências terríveis e um final redentor. 

O ator principal Alexander Petrov é muito bom, ele retrata bem essa desesperança e solidão que leva alguém a assumir uma vida que não é a sua. A edição é interessante, com umas descontinuidades que mostram bem o estado psicológico do personagem. É interessante ver filmes de ação que não são os norte-americanos, consegue-se perceber as nuances da cultura do país produtor da película. A Rússia, por exemplo, tem um forte sentido de dramaticidade e tragédia nos seus enredos. Até em filmes de entretenimento, existe este lado soturno mesclado com as cenas de ação. 

Uma das estreias do Festival de Cinema Russo, é um filme curioso de se assistir, um sopro refrescante na mesmice da maior parte do cinema de ação de Hollywood. Nota 6,5/10.

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