20.12.20

O plano perfeito para dar errado || Cameron Lund

 

(Sinopse do livro)


Desde que a Faro anunciou que lançaria este livro fiquei curiosa para ler. Claro que já imaginava que seria um livro mais tranquilo, pela sinopse, e foi por isso mesmo que solicitei. O plano perfeito para dar errado conta a estória de Keely, que está terminando o ensino médio e é a última virgem da sua turma. Ela sofre pressão de um grupo de amigas com quem anda para perder a virgindade antes de ir para a faculdade. Esse mito da mudança de vida quando se entra na faculdade é importado dos Estados Unidos e do fato que lá, os jovens saem de casa nessa época e passam a ter responsabilidades que a maioria dos jovens por aqui, só vão ter com mais idade; pelo menos na teoria. Enquanto está trabalhando em uma locadora de filmes a Keely conhece o Dean, um cara mais velho, que está faculdade, e começa a se relacionar com ele. É quando ela percebe que essa poderia ser a sua chance de deixar de ser virgem, mas novamente uma insegurança bate nela: a de não ter a experiência que esse rapaz mais velho deseja.


É onde entra o Andrew. Esse garoto é o melhor amigo da Keely, eles cresceram juntos e um sabe das coisas mais estranhas e diferentes do outro. O Andrew tem uma fama de pegador, do cara baladeiro e que está por dentro de tudo. Os dois, aparentemente, nunca se olharam com mais do que amizade. Eu digo aparentemente porque a gente percebe que existe ali alguma coisa pronta para subir a superfície. Como o Andrew tem muita experiência em sexo, eles se conhecem, ela se sente segura com ele, a Keely pensa "por quê não pedir ao Andrew para tirar a minha virgindade?". No começo ele fica meio sem jeito, mas aceita. Dá tudo errado, obviamente, e eles passam a se estranhar como amigos já alertando a ambos que, na verdade, eles sentem um pelo outro muito mais do que amizade. 



Quem narra tudo isso é a Keely e ela é muito insegura, leva a opinião dos outros muito a sério a ponto de se meter numas enrascadas. Ela tem sim um amadurecimento ao longo do livro, ela percebe muitas coisas, mas não é uma mudança da água para o vinho. As "amigas" da Keely são pessoas não tão bacanas assim e é engraçado como nessa época a gente se apega a pessoas erradas e muitas vezes a gente tem consciência disso. A Keely sabe que não deveria seguir ao pé da letra os conselhos dessa amigas, mas ela faz isso por causa da necessidade de agrupamento dos adolescentes. Senti falta do Andrew narrado, teria sido bom saber o lado dele dessa estória. Não sei se tem algum conto ou continuação com ele narrando a sua versão, acredito que não, mas o que a gente sabe dele é pela visão da Keely. Ela o vê apenas como amigo até que eles se beijam, e a sensação para ela é de cuidado, aconchego e casa.


Eu não sei vocês, mas eu tenho a impressão de que essa coisa da virgindade foi meio importada dos filmes americanos, assim como a questão da faculdade ser um marco da vida adulta. Pelo menos na minha época não era uma pressão tão grande assim as meninas não serem mais virgens, pelo contrário. Eu ainda peguei um pouco essa questão do "se guardar para alguém que vale a pena"; talvez isso deva ser mais comum para os meninos. Acredito também que essa paranoia está na cabeça dos próprios adolescentes, na interpretação errada de alguns comentários. Eles estão sempre buscando aceitação dos outros que esquecem que a pessoas só ficam sabendo da sua intimidade se você falar, se você não disser que é virgem ninguém nunca vai saber. Enfim, eu não posso comentar por todos, mas a minha experiência de adolescente não teve esse tipo de pressão, padrão de beleza e ser "boca virgem" sim, mas em relação a sexo, não.


Eu preciso comentar que esse é um livro clichê e bastante voltado para o público na qual se destina: a adolescente virgem, que está sofrendo pressão para perder algo que na minha visão não deve ser dado de qualquer jeito. Na verdade o sexo não deveria ser tão banalizado. A intimidade do ato, pelo menos para mim, é relevante e deveria ser feito com confiança e prazer, não só para ser cumprido. É mais ou menos essa mensagem que o livro está querendo passar para essa adolescente virgem que vai ler. Não é uma corrida, é algo importante que deve ser feito com responsabilidade. Esse livro me pegou da metade para o fim, porque fiquei bem envolvida com a Keely e o Andrew imaginando como os dois terminariam. E sobre o final vale dizer que ele termina, só que fica no ar o que o futuro reserva para eles. Gostei, foi divertido e valeu para passar o tempo.


O plano perfeito para dar errado 

Cameron Lund

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