10.12.20

O Francês

O Francês || Disponível a partir do dia 10 de dezembro de 2020 
Crítica por Bárbara Kruczynski 

Imagem: Reprodução

Ao iniciar da película, viajamos para o ano de 1957 e conhecemos dois homens e uma mulher sentados a beira de uma mesa conversando sobre maneirismos da classe social burguesa e também meios de organização socioeconômicos (o famoso comunismo). Um dos moços, claramente da ala militar, faz críticas ferrenhas ao jeito pomposo dos burgueses, mas não demora a cometer gafes similares quando o vinho pedido ao garçom não está de seu agrado. Aliás, a senhorita que acompanha os dois, repara e o notifica. O outro jovem junto à eles é Pierre Durand, estudante francês que se apresenta com vestes normais e, enquanto seus amigos flertam, fuma um cigarro e comenta da sua partida para a "mãe" Rússia no próximo dia. 

Pierre conseguiu um estágio na Universidade de Moscou e aproveitará a oportunidade para iniciar uma busca pessoal. Um encontro com o pai que fora preso nos anos 1930 e ele teve a oportunidade de conhecer apenas pela fala da mãe. Ao chegar ali, Pierre faz amizades, se inscreve em aulas e mais aulas do campo literário ou filosófico, e assiste as que vê relevância. O rapaz se embrenha pela vida cultural de Moscou e conhece clubes de jazz ao lado de um editor e fotógrafo e também de uma bailarina do teatro Bolshoi, que o hipnotiza instantaneamente. O trio tem seus bons momentos juntos, mas claro, conflitos vem à tona e eles tomam rumos quase que óbvios. 

Imagem: Reprodução

Filmado em preto e branco, O Francês, de Andrei Smirnov tem uma pegada altamente cultural por inserir muita arte na vida do personagem central. Ao mesmo tempo, sentimos o drama de um jovem em busca de identidade e conexões. Ele mesmo específica que apesar das origens russas se sente francês ali e ao estar na França é lembrado que daquele país ele não é. Toda a carga trágica de guerras e separações traz muito peso ao passado de Pierre, o que faz com que seu caminhar pelo filme seja cheio de vida e nunca estagnado. Não há em si um final feliz, mas pode se dizer que ele encontra respostas e consegue ter bons momentos por algum tempo. 

Com uma edição longa (mais de duas horas), bela, fotografia, figurino e elenco afiado, O Francês pode trazer aquela sensação de pertencimento a uma era específica da história e, sem sombra de dúvidas, aos amantes das artes fará muito sentido. No elenco, Anton Rival, Evguenya Obraztsova, Aleksandr Baluev.

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