12.12.20

Narciso e Goldmund

Crítica por Helen Nice 

Imagem: Reprodução

Um filme belíssimo baseado no romance homônimo publicado em 1930, escrito por Hermann Hesse. Direção e roteiro de Stefan Ruzowitzky. Elenco: Jannis Niewöhner (Goldmund), Sabin Tambrea (Narciso), Henriette Confurius (Lena), entre outros. 

Narciso é noviço no Mosteiro Mariabronn. Atencioso e um pouco retraído, dedica-se aos estudos e orações esquivando-se dos outros garotos que o tratam de maneira rude e agressiva. Culto e racional, Narciso pretende seguir o sacerdócio e ordenar-se Monge. Um dia, um pai rude, blasfemando contra a vida e acusando sua esposa de traição, chega ao Mosteiro com um garoto e o entrega aos cuidados dos Monges. O garoto assustado, chora e clama pela mãe. Narciso é incumbido de cuidar do recém chegado e assume a tarefa a contra gosto. O pequeno Goldmund tem segredos sofridos das memórias de sua mãe e, carente, se apega ao amigo. 

Os dois passam o tempo todo juntos e nasce uma grande amizade entre eles. O tempo passa e Goldmund se transforma em um jovem belo e audacioso. A adolescência chega e Narciso vê essa amizade transformar-se em um sentimento mais profundo e reprovável segundo suas crenças religiosas. Tempos difíceis para o amor e suas diferentes manifestações. O clero faz Narciso escolher entre a proximidade com o companheiro e sua vida religiosa. Narciso se fecha no claustro e se pune por amar Goldmund. Assustado com o que presencia e sem a companhia do amigo fiel, Goldmund que já tinha uma índole rebelde, foge e cai no mundo à procura de sua mãe e novas aventuras. Tempos difíceis para a solidão e a falta do carinho materno. 

Imagem: Reprodução

Goldmund vive sua liberdade sem responsabilidade. Vinho, sexo livre, muitas mulheres, inclusive as casadas, nada o detém. Perdido em sua busca de si mesmo. Após muitas andanças, o jovem conhece o mestre Niklaus que reconhece seu talento e o aceita como aprendiz. Suas obras são belas e trazem na face a recordação do amigo fiel. Goldmund teria a chance de ter um ofício e casar com a filha do mestre, mas abre mão de tudo e volta à vida desregrada. A peste atinge a Europa e Goldmund foge com a bela Lena por quem se apaixona. Querem viver seu amor em paz, mas Lena tem um fim trágico. 

Chegando ao fundo do poço, Goldmund é preso, acusado e condenado. Para sua surpresa o Monge que vai visitá-lo é o velho amigo Narciso. Ajudado por Narciso, Goldmund volta ao Mosteiro, agora como artesão. Ele cria belas obras que não são bem vistas pelos outros monges. A amizade de Narciso e Goldmund ainda incomoda o clero. Mais uma vez ele coloca o pé na estrada. Quando retorna está doente e debilitado. O amor de Narciso, que ficou guardado e latente a vida toda, o mantém ao lado do amigo até seu último suspiro. Narciso e Goldmund é um filme sobre Amor e sentimentos proibidos. A dualidade racional/emocional é explorada em suas várias vertentes. 

Hermann Hesse explorou o ascetismo de Narciso e a libertinagem de Goldmund e como as duas personalidades se completam em seu antagonismo. A bela fotografia ambientada no período das trevas do século XV e a trilha sonora com uma aura religiosa emolduram a amizade apaixonada entre dois homens de natureza tão opostas. Envolvente e brilhante!!

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