5.11.20

De perto ela não é normal

De perto ela não é normal || Estreia dia 5 de novembro no Telecine 

Crítica por Helen Nice

Imagem: Ellen Soares  

Suzie (Suzana Pires) seguiu à risca o que sua mãe esperava de uma boa garota. Desde pequena ouvia que para ser uma boa mulher e se realizar na vida teria que se casar e ajudar seu marido a chegar lá. Suzie casou-se com o namoradinho de infância, Pedrinho, seu príncipe encantado, teve duas lindas filhas e... Se fosse um conto de fadas, aqui entraria o famoso "e foram felizes para sempre". Mas, a história não foi bem assim... Suzie deixou para trás aquela criança feliz e sonhadora, que ria descontraída, dançava e era criativa, arranjou um emprego sem graça, seu príncipe Pedro (Marcelo Serrado), virou o sapo barrigudo, acomodado e sem opinião própria, a sogra rabugenta Dora (Cristina Pereira) veio morar junto, as filhas cresceram; Bia tbm casou-se e Nina foi morar em NY; bateram asas, ganharam o mundo deixando o ninho vazio e a vida sem sentido. 

Olhando ao redor, ela percebe que sua amiga de infância Rebeca (Angélica) parece bem casada na opinião dos outros, mas empurra com a barriga definida um casamento de aparências com o marido JP (Izak Dahora) que "chegou lá". Frequenta a alta sociedade, mora na Barra e finge que não vê o filho problemático. Suzie entra em crise...não é isso que ela quer para sua vida! E agora??? Agora vai começar a melhor, mais difícil, mais desafiadora, mais empolgante, mais engraçada etapa de sua nova vida... aos 40 anos de idade. Suzie vai iniciar a busca por si mesma e tentar se encaixar em todos aqueles modelos arquetípicos que tentam enfiar goela abaixo das mulheres. Seja bem sucedida, tenha um emprego bem reconhecido, ganhe fortunas, tenha um corpo perfeito, seja zen, tenha um homem... Tantas cobranças e a única coisa que ela queria era chegar lá! Mas o que ou onde seria isso?? 

Imagem: Divulgação

Tentando encontrar sua real identidade, Suzie se depara com outras mulheres que a ensinam, apoiam e servem de referência. É sororidade que chama, né? A tia Suely que se descobriu na terceira idade e criou um grupo famoso de caminhada e tem uma vida confortável. A professora Deise Aparecida (Ivete Sangalo) muito loka, inteligente, estudiosa, ensimesmada em um universo só dela, mas que em seus devaneios nas aulas compartilha ensinamentos e reconhece o potencial da aluna. A advogada poderosa e bem sucedida Maria Piá (Gabi Amarantos, inclusive é dela a música tema do longa "Eu sou mais eu") que lhe dá sua primeira oportunidade de trabalho. Naninha (Samantha Schmütz) amiga e personal coach da academia, que dá a Suzie umas dicas nada seguras para ter um corpo perfeito. Mas ainda assim faltava algo para chegar lá... 

Em sua busca, Suzie se envolve com alguns homens (Henry Castelli, Otaviano Costa, Ricardo Pereira) tentando suprir suas carências. Demora para perceber que não adianta criar personagens para satisfazer o mundo se seu mundo interior estiver vazio. É preciso reencontrar a alegria da infância e um possível companheiro de jornada, que vai aparecer na hora certa e dar um novo start na vida. Felicidade, equilíbrio e auto confiança - talvez isso seja "chegar lá". Adaptar um monólogo e seus próprios personagens para outros atores e atrizes foi um desafio para Suzana Pires. Ela estudou, se aperfeiçoou, criando um novo roteiro sob a supervisão de Cacá Diegues e entregou aos outros a possibilidade de assumirem os papéis e darem cara nova. 

Imagem: Divulgação

O resultado é uma comédia otimista, que mostra de maneira divertida as mudanças na vida dessa nova mulher que prova que "Chegar lá" é estar feliz. Uma crítica bem humorada sobre como a mulher é cobrada durante a vida e como é difícil escolher sua própria trajetória. Um filme com lugar de fala, mas também com "lugar de escuta", como bem disse Marcelo Serrado em coletiva. O homem que irá assistir se verá representado nos estereótipos masculinos e poderá refletir a respeito. O primeiro filme a seguir as cláusulas de inclusão, quebrando velhos elos e criando novas conexões. Destaque para a participação mais que especial de Orlando Drumond e como disse Ivete Sangalo à imprensa - se ao final do dia você disser - "Deus isso era tudo que eu queria" - você já chegou lá. 

Estreia hoje (05) na Rede Telecine, produção Escarlate Conteúdo Audiovisual, uma coprodução Globo Filmes, distribuição H2O Films. Seja Cult viu em primeiríssima mão e recomenda!!

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