6.11.20

Caminhando contra o vento

 Caminhando contra o vento || Estreia em breve

Crítica por Helen Nice


Imagem: Reprodução

Integrando a competição Novos Diretores da 44a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a produção chinesa Ye Ma Fen Zong - Caminhando contra o vento, baseia-se na vida do próprio diretor e roteirista Wei Shujun e descreve a realidade típica da juventude. Você se lembra de sua época de faculdade? Um período marcado por inseguranças, buscas e incertezas. Época que o jovem se sente totalmente perdido, não se adequa aos padrões, não tem responsabilidade e o único objetivo é aproveitar a vida, sem medir as consequências. Sempre foi e sempre será assim... salvo raras exceções. 

Na história, o jovem Zuo Kun (Zhou You) está no último ano da faculdade de cinema e não leva as aulas muito a sério, principalmente porque a teoria para ele é bem simples e ele já tem uma ótima visão das técnicas. Seu melhor amigo, o hilário Tong (Tong Lin Kai) é seu companheiro de atrapalhadas e trabalhos. Kun deseja de qualquer maneira conseguir sua carteira de habilitação, comprar um carro e sair rodando até a Mongólia interior, aproveitando a vida. Enquanto suas aventuras não acontecem, os dois amigos aprontam poucas e boas, totalmente inconsequentes. O retrato típico do jovem com seus conflitos sentimentais, incertezas financeiras, dependência dos pais, desilusões profissionais. 

Kun consegue comprar uma velha caminhonete e os dois passam a maior parte do filme tentando resolver questões relacionadas ao carro, que é seu maior patrimônio. O carro é quase uma persona na história. São cenas hilárias de fuga da polícia, contravenções de trânsito, incidentes. E a road movie vai ficando interessante, apesar de não apresentar muitas cenas de paisagens. É mais uma viagem interior, de auto conhecimento e reflexão. Enquanto o jovem Kun , inconsequente, leva a vida na boa, sua namorada Zhi tem os dois pés na terra. Responsável, tem um emprego rentável, apesar de não satisfazê-la profissionalmente. É formada em Literatura Chinesa, porém trabalha com eventos, apenas para juntar dinheiro e levar o pai para viajar. Um relacionamento fadado ao fracasso. 

Imagem: Reprodução

Como pano de fundo temos um filme que está sendo rodado e no qual Kun e Tong trabalham na sonoplastia. O jovem tem um ouvido aguçado e não tem muita paciência para seguir as ordens e regras do diretor. A cena em que ele está estudando sobre os sons dos cavalos é simplesmente genial. Ficou bem interessante o jogo de cenas do filme em si e do filme fictício com o diretor ao estilo "sabe tudo", a protagonista que reclama do cachê e as correrias para gravar as cenas finais nas belas paisagens da Mongólia com músicas e danças para comemorar. 

O filme, que a princípio é um pouco arrastado, ganha corpo e torna-se interessante graças à irreverência dos personagens. O público certamente vai se identificar, ou com o aluno que não leva nada a sério e não se preocupa com o futuro ou com a namorada comportada e seguindo as regras da sociedade. Este primeiro longa do diretor merece ser visto!

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