12.10.20

Mães De Verdade

Mães de Verdade || Estreia em breve
Crítica por Helen Nice

Imagem cedida pela Califórnia Filmes

O Seja Cult já conferiu o primeiro filme apresentado à imprensa no último sábado (10) por ocasião da Coletiva Online inaugurando a 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme escolhido para dar o pontapé inicial nas apresentações foi o emocionante True Mothers (Mães de Verdade) dirigido por Naomi Kawase, que divide o roteiro com Izumi Takahashi em uma história baseada no romance de Mizuki Tsujimura. A comovente narrativa mostra a trajetória do casal oriental Satoko (Hiromi Nagasaku) e Kiyokazu Kurihara (Arata Iura) que, seguindo a tradição, se prepara para a gravidez do filho tão desejado. Percebemos como a pressão cultural influi na decisão do casal, passando a ser quase uma obsessão engravidar. Mas algo não está bem e o casal procura ajuda médica, que constata a infertilidade do marido. Este praticamente entra em depressão por não poder cumprir seu papel de procriador e chega a sugerir o divórcio. 

Um dia, vendo tv, eles assistem um programa sobre o Projeto Baby Baton, que acolhe futuras mães, geralmente adolescentes, que não terão condições de criar os bebês e os entregam para adoção plena, que é quando a mãe abre mão totalmente da criança, que será registrada pelo casal guardião. O casal terá regras a cumprir: um dos dois terá que abrir mão da vida profissional, deverá escolher nomes de menino e menina, pois não saberá qual bebê lhe será designado. O casal opta pela adoção e, assim chega às suas vidas o pequeno Asato (Reo Sato). De forma não muito convencional, o casal quis conhecer a mãe biológica, a jovem Hitari (Aju Makita). A cena do encontro é emocionante... prepare lencinhos! 

Imagem cedida pela Califórnia Filmes

O respeito do casal, agradecendo por ela ter gerado o bebê e o sentimento da adolescente que se separa do filho recém nascido, é muito lindo. A mãe biológica entrega à mãe adotiva uma carta, que será lida para a criança anos depois. Fica subentendido na vida daquele casal uma preocupação quanto aos comportamentos da criança já em fase pré-escolar perante um pequeno incidente com um coleguinha da escola. É sempre uma incógnita a genética que trará uma criança adotada e seu comportamento. Quanto à adolescente, sua vida vira um turbilhão de traumas e questões mal resolvidas. A família age como se ela tivesse tido uma pneumonia e se afastado da escola por alguns meses e voltasse a viver normalmente após o nascimento da criança. 

Em toda narrativa fica marcada as diferenças de classe e realidade de vida, bem como das personalidades das duas mães. Entretanto as questões psicológicas que envolvem uma gestação, o afastamento do pai da criança que ela ainda ama, o convívio com outras jovens grávidas sob os cuidados da fundadora da ONG e, principalmente, da separação do filho nunca foram levados em conta. A jovem de apenas 14 anos foi obrigada a crescer rapidamente e não foi respeitada como ser humano. Um assunto polêmico. A família tem o direito de decidir pela jovem, não importa o quanto ela sofra, contanto que não envergonhe a família perante a sociedade. 

Seis anos depois e com a vida totalmente desequilibrada, a jovem mãe decide procurar seu filho e requerer seus direitos. As mães verdadeiras, a mãe que cria e a mãe de Hiroshima, terão que ficar frente à frente e dizer a verdade à criança. As atuações são muito convincentes e complementam um roteiro terno, sensível. A fotografia é linda, com belas imagens do sol no mar do Japão embaladas por canções pop japonesas. A sub trama envolvendo uma investigação policial fica um tanto quanto fora de contexto. No geral, temos um filme profundo e comovente na medida certa, que agradará bastante o público e o levará a refletir sobre o tema.

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