22.10.20

Panquiaco

Panquiaco || Estreia em breve 

Crítica por Helen Nice 

 

Imagem: Divulgação
 

Em meados de 1501, chega às terras da América Central Ístmica, o explorador e fidalgo espanhol Vasco Nuñez Balboa e inicia sua exploração. Anos depois, endividado e com tamanha ganância por ouro, chega às terras governadas pelo Cacique Comagre e seu filho Panquiaco. O filho, demonstrando desprezo pelos invasores, diz que "se você está tão ansioso pelo ouro a ponto de abandonar sua terra natal e vir até aqui, então vou mostrar- lhe o local onde você pode satisfazer sua ganância totalmente", referindo-se ao sul, onde os nativos usavam peças de ouro. Assim Balboa teve conhecimento da existência de outro mar, e segundo a lenda dos nativos, Panquiaco carrega o arrependimento por levar Balboa até o mar e seu espírito vaga sem sossego pelas florestas. Para os nativos, a floresta, além de fornecer as ervas medicinais utilizadas em banhos que auxiliam na manutenção da saúde, também representa sua identidade como povo e sua santidade. 

 

O documentário panamenho das cineastas Ana Elena Tejera e Maria Isabel Burnes, que fará parte do catálogo da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, traça um panorama da vida de Cebaldo de Leon Smith de 60 anos que, ao deixar sua terra natal em Guna Yala para trabalhar com pescados em Portugal, vive a solidão e a saudade dos ancestrais. Em uma viagem de retorno, teremos relatos orais e a sabedoria popular que sobrevive de geração em geração, nos envolvendo em uma verdadeira pesquisa sobre os mitos e a história dos povos pré- colombianos. Cebaldo vivenciou outras realidades, comenta sobre o frio da Rússia e o calor do Panamá, e o confronto interno ao retornar é inevitável. "Depois de ver o mundo, você nunca se sentirá completamente em casa novamente. Parte do seu coração sempre estará em outro lugar.

 

Imagem: Divulgação
 

O relato é ficcional, mas inspirado na realidade, a saudade, o retorno e o reencontro com a comunidade, com as crenças e rituais, tal como o ritual funerário com todo seu simbolismo. São belas imagens, simples e repletas de conteúdo, como as mulheres em seus trajes coloridos, ou o ancião entoando cânticos tristes e ritmados. Singelas memórias de um passado que se perdeu para Cebaldo a medida que ele abriu mão de tudo e partiu para outro mundo. "A tua alma foi para outro lugar." A urgência em regressar às origens contrasta com um Panamá moderno com ares de EUA ou Europa, favorecido pela posição geográfica. 

 

A história de Panquiaco é a história dos povos nativos e a necessidade de se preservar as tradições e costumes daqueles que são os reais donos das terras. A frase "Procura em ti o que estás a tentar encontrar aqui." resume e define a obra. Um documentário contemplativo com uma bela narrativa poética... Feito para aqueles que tem olhos de ver!

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