20.10.20

O Tremor

O Tremor || Estreia em breve 

Crítica por Helen Nice 

 

Imagem: Divulgação
 

Sob a direção, produção e roteiro de Balaji Vembu Chelli, chega à Mostra de Cinema de São Paulo este filme de mistério e suspense representando a Índia na Categoria Novos Diretores. Na trama, um jornalista (Rajee Anaud), que está se preparando para viajar de volta para casa, é enviado para cobrir um grande terremoto que, supostamente, teria destruído todo um vilarejo, causando muitas mortes. Ele se apressa a pegar a estrada em direção ao local, ansioso por ser sua primeira grande cobertura. Ele pretende dar um grande furo ao enviar as primeiras imagens. A grande jogada deste roteiro é manter a atenção do espectador por 72 min. à espera do ápice. 

 

O suspense está no caminho e não no resultado final. E este caminhar, na verdade uma road trip vai nos levar por imagens bem construídas, por montanhas, vilarejos, personagens, situações. Belas imagens que precedem o que seria o local da tragédia. Obviamente, nós como público, já nos preparamos para o impacto das imagens de destruição. Porém, o que teremos são imagens das montanhas do interior do país. Seguindo pistas falsas que o fazem entrar por trilhas na mata, com sons peculiares. Antigas canções tâmil dão o ritmo da narrativa. As imagens com câmera em movimentos bruscos causam uma sensação de desconforto e sufoco. Parece que todos estão contra ele, não querem que ele descubra a verdade e chegue ao objetivo. 

 

O dia passa, a noite chega e uma densa névoa torna tudo mais difícil. A possibilidade de sucesso mediante a tragédia se esvai. Alguns trabalhadores inclusive dizem que, as informações sobre o terremoto são encobertas pelas empreiteiras para não atrapalhar as vendas dos empreendimentos. Um personagem sem nome vagando sem rumo. Seria esta a grande metáfora do filme? Estamos tão acostumados a ter a trama concluída e o desfecho bem amarrado que O Tremor pode chocar ao propor algo diferente e seria interessante se não se perdesse em si mesmo e não levasse, literalmente, a lugar algum.

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