30.10.20

O Charlatão

O Charlatão || Estreia em breve 
Crítica por Helen Nice

Imagem: Karlovy Vary Film Festival

O Charlatão é um drama biográfico, dirigido pela polonesa Agnieszka Holland, com roteiro do tcheco Marik Epstein, que representa a República Tcheca na disputa do Oscar de Filme Estrangeiro e chega agora à Plataforma da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A cinebiografia descreve a vida do garoto Jan Mikolásek, que nascido na virada do séc. XX, cresceu ajudando sua família no cultivo das plantas. Cedo percebeu um dom especial no manejo das ervas, intuitivamente. Quando jovem, ele vê sua irmã com uma séria enfermidade nas pernas, com gangrena em estado avançado, a amputação seria a única maneira de preservar sua vida. Num impulso, o jovem prepara um emplastro que salva a irmã da amputação. 

Percebendo seu destino, Jan procura a curandeira local e pede a ela que o ensine as técnicas de diagnóstico pela urina e possíveis tratamentos, usando métodos nada ortodoxos. Ele se torna um herborista e passa a tratar não só as pessoas pobres da vila, sugerindo mudanças na alimentação, estilo de vida e seus compostos à base de ervas, como também pessoas influentes ligadas à política, tanto alemães nazistas como oficiais comunistas e, até mesmo o Presidente da Tchecoslováquia, Antonín Zápotocký. Com isso, ele adquire prestígio, fortuna e proteção e se torna uma figura cult nos anos 30. Passa a ser conhecido como o oráculo da urina e atrai pessoas de toda parte que se enfileiram à sua porta com seus frascos de urina. 

Imagem: Karlovy Vary Film Festival

Quando o Presidente morre em 1957, o regime muda e ele passa a ser uma ameaça para o Partido Comunista, sendo acusado de charlatanismo. Em seu consultório, Jan conta com a ajuda de seu assistente jovem e bem apessoado Frantisec Palko, por quem desenvolve um sentimento mais íntimo e profundo. Porém pelas leis vigentes, homossexualismo é crime e o amor entre eles é algo impuro, proibido, secreto. Investigado pela Gestapo, são presos quando a investigação encontra estricnina nos corpos de dois de seus pacientes. 

O filme mostra em flashbacks, um homem fiel à suas crenças e extremamente religioso, que ajudava os mais necessitados dando seu próprio dinheiro. Sofria por considerar sua forma de amar como pecado, uma angústia sujeita a penitências físicas. Ele não se dizia doutor, e pregava: Acredite que sua fé irá salvá-lo. Para ele, curar as pessoas era uma missão de vida, que deveria combater a doença com as armas da Natureza. Um filme que traz questões profundas sobre sexualidade, dom de cura e amor em tempos sombrios de guerra, com uma bela fotografia e trilha sonora envolvente. O filme deixa ao espectador o julgamento final. No elenco: Ivan Trojan como Jan adulto e seu filho, Josef Trojan como Jan jovem, Juraj Loj como Palko.

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