31.10.20

Cracolândia

Cracolândia || Estreia em breve 
Crítica por Helen Nice

Imagem: Divulgação

Participante da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o documentário dirigido por Edu Felistoque - Cracolândia foi apresentado na plataforma da programação do Los Angeles Brasilian Film Festival. Filmado na região central de São Paulo, que passou a ser conhecida por este estigma ao se tornar o maior reduto de usuários de drogas da cidade. Temos também cenas gravadas em Zurick, Canadá e EUA, mostrando que o fenômeno do uso de drogas nas ruas, a céu aberto e em meio à vida cotidiana, não é exclusividade nossa e está se tornando um problema de saúde mundial, mesmo em países com estruturas sociais mais bem desenvolvidas. 

O uso do crack, droga derivada da cocaína, porém com um efeito bem mais rápido e devastador, se tornou uma pandemia silenciosa, que mata aos poucos, desafiando autoridades e especialistas no assunto. As realidades são distintas, porém o uso do entorpecente e suas consequências sociais são semelhantes. Vidas destruídas, famílias amplamente afetadas. Calcula-se que para cada usuário/dependente são, pelo menos, mais quatro vidas de familiares que sofrem junto. O cientista político, consultor e palestrante Heni Ozi Cuckier nos guia por todo documentário traçando um viés entre depoimentos e conversas informais. 

Imagem: Divulgação

Aborda um assunto polêmico, uma vez que a sociedade ora critica e pede medidas drásticas de controle e punição, ora empurra o assunto para baixo do tapete e finge que ali não estão seres humanos que merecem respeito e tratamento. Quando as autoridades enfrentam a situação com medidas mais enérgicas também são criticadas. Além do fato que, por trás do usuário que é a ponta final e mais fraca, está o traficante e o crime organizado que domina a área, que até seria usada como local de cativeiro para sequestros. O documentário apresenta as visões de quem estuda o fato, quem tenta conter o avanço da situação e de quem usou/usa a droga e tem a visão do outro lado do espelho. 

O longa abre um imenso debate, apresentando fatos, possíveis abordagens, tentativas de solucionar a questão no Brasil e no mundo. Líderes e especialistas com a ótica burocrática, agentes de saúde, médicos, centros que acolhem e tratam o dependente químico ou trabalham na redução de danos, procurando possíveis soluções para um problema muito mais amplo e abrangente, que envolve questões sociais. Após analisar as variáveis do documentário a conclusão final é: "Você pode não concordar com o que viu ou ouviu, mas vai ter que refletir." Vale a reflexão!

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