26.10.20

Coronation

Coronation || Estreia em breve 
Crítica por Helen Nice 

Imagem: Divulgação

Ai Weiwei, artista e ativista, que vive na Europa, se interessou por fazer gravações para ter um registro documental da história no princípio da epidemia Sars-cod2 na China. O que seria uma simples documentação de fatos, tornou-se este documentário denúncia sobre a Pandemia que mudou, e continua mudando nossas vidas. Em um momento tão delicado, quando as informações que recebemos devem ser checadas e questionadas quanto a sua veracidade, este tipo de documentário se faz necessário e urgente. O diretor Weiwei contou com uma equipe de artistas, ativistas e voluntários que colheram relatos e imagens "in loco" desde o início do surto. Weiwei recebia todo esse material, os organizava e dava voz àqueles que estavam no epicentro da tragédia. 

Em 31 de dezembro de 2019 um primeiro paciente foi diagnosticado em Wuhan. Em 23 de janeiro, a cidade foi fechada e decretada como o epicentro dos primeiros casos de infecção por um novo vírus. Em pouco tempo se estendeu pela Província de Hubei. Daí o vírus espalhou se tornado a Pandemia Covid19. Assim temos vídeos caseiros com relatos de trabalhadores que foram mandados às pressas para a construção de centros de tratamento e se viram confinados e obrigados s ficar devido ao lockdown. Temos o relato de uma senhora, membro do partido, que o defende cegamente e afirma que "o partido comunista comanda armas e nunca se deve permitir que a arma comande o partido." Ela acredita que viver sob o regime traz segurança, certeza de tratamento e alimentos - "o partido o alimentou para ser quem vc é hoje" discute ela. As cenas mais impactantes são as das famílias que não podem realizar seus rituais funerários. O sistema restringe o recebimento das cinzas e a entrega é feita de maneira rude e sem qualquer cerimônia ou higiene. 

O documentário discute a eficiência do governo chinês em não medir esforços e regulamentos para manter as informações sobre o vírus em sigilo. O tratamento desumano com os pacientes ditos curados, mas que eram mantidos nos hospitais num total descaso. A máquina do governo é muito potente, as famílias são monitoradas pela agência de segurança pública, em um estrito controle político. A China controlou a Pandemia e aquilo que poderia se saber sobre ela com seu autoritarismo. A população de Wuhan passou por uma experiência agonizante. Para a geração que viveu essa pandemia, sua sombra ficará sobre suas cabeças para sempre. Ao final, fica a sensação de impotência perante um regime que tudo controla. Apesar da rapidez em declarar o lockdown, fica a denúncia sobre a total falta de transparência e respeito pelo ser humano.

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