23.10.20

A Verdadeira História de Ned Kelly

A Verdadeira História de Ned Kelly || Em exibição em cinemas selecionados 
Crítica por Helen Nice

Imagem cedida pela A2 Filmes

A Verdadeira História de Ned Kelly, inspirado no best seller de Peter Carey, tem roteiro de Shaun Grant e direção de Justin Grant. O pequeno Edward "Ned" Kelly (Orlando Schwerdt), nasceu na colônia britânica de Victoria na Austrália e não teve uma infância adequada para uma criança. De família disfuncional, Ned presenciava sua mãe (Essie Davis) se envolver com outros homens, entre eles o Sargento Inglês O'Neill (Charlie Hunnan), enquanto seu pai fingia nada saber. Aliás, seu pai tinha um certo segredo envolvendo trajes femininos, nesta versão da história. A relação com a mãe também não era tranquila, num misto de amor/ódio, com cobranças bem tóxicas para uma criança. Revoltado com a situação, Ned tenta provar que já é o homem da casa e pratica seu primeiro delito. Seu pai assume a culpa, é preso e morre na prisão. Ned tinha apenas 12 anos.

A partir daí, a mãe que já vivia de trambiques como a venda ilegal de bebidas, passa a se envolver com uma série de "pais" em potencial até chegar em Harry Power (Russell Crowe), que parece ser boa gente, mas esconde do garoto sua verdadeira fonte de renda. Em sua companhia, o garoto inicia sua carreira de crimes e acaba preso. Anos mais tarde, agora interpretado por George MacKay, Ned Kelly assume sua fama de fora da lei e, juntamente com seus irmão e vários simpatizantes, forma sua famosa gangue - os filhos de Sieve - que se vestem com trajes femininos como forma de protesto. 

Imagem cedida pela A2 Filmes

Ned jurou vingar sua mãe, que foi presa, e enfrentar o governo vitoriano opressor e o império britânico. O confronto final se dá quando eles tentam descarrilar um trem e emboscar os policiais, sem sucesso. Ned foi preso, julgado, condenado e sentenciado à pena de morte por enforcamento em 1880. Ele tinha apenas 25 anos de idade. Toda narrativa acontece através de escritos que Ned endereça a seu filho para que ele tenha uma imagem real do pai. "Segredos nos prendem mais que correntes.

Uma forma bem interessante de amarrar as fases do filme que é bem dinâmico e envolvente no início, se perde um pouco no segundo ato, mas se recupera no clímax final, violento e brutal. A trilha sonora composta por Jed Kurzel, abusa da percussão com cordas e instrumentos folclóricos, dando uma atmosfera bem perturbadora que representa bem a psique atormentada do protagonista. Esta obra ficcional tenta dar uma nova roupagem a esta história já bem explorada. Mas preste atenção ao letreiro inicial. "Nada do que você está prestes a ver é verdade!"

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