19.9.20

Sangue de Pelicano

Sangue de Pelicano || Disponível nas plataformas digitais
Crítica por Helen Nice

Imagem: PÖFF24 

No Catolicismo Romano há a figura do Pelicano Eucarístico em alusão à Eucaristia e o fato de Cristo ter dado seu próprio sangue para alimentar o povo. Sendo o pelicano uma ave aquática, na falta de peixes para alimentar seus filhotes, a ave bica o próprio peito oferecendo sua carne e sangue aos filhos. É tido como símbolo de sacrifício e doação. Baseado nessa premissa, Sangue de Pelicano se propõe a ser um filme de amor maternal, adoção e dedicação. Com roteiro e direção de Katrin Gebbe, a história gira em torno de Wiebke Landau (Nina Ross), treinadora de cavalos que cede seu haras para o treinamento da cavalaria da Polícia, em uma pequena cidade da Alemanha. Ela vive na propriedade com sua filha adotiva de 9 anos Nikolina (Adelia-Constance Ocleppo). Ambas estão ansiosas pela chegada da irmãzinha adotiva de 5 anos. Os trâmites da adoção correm em outro país, já que na Alemanha mulheres solteiras estão proibidas de adotar. 

Paralelamente à trama principal, Wiebke está tendo problemas com o treinamento de Top Gun, o cavalo arredio da policial Alma. Ela demonstra grande habilidade com os animais e atrai os olhares apaixonados de um dos policiais, Benedikt interpretado por Murathan Muslu. Um interesse além do profissional começa a despertar. A fotografia é boa e as cenas com os cavalos agradam bastante. Chega o grande dia e mãe e filha vão buscar a pequena Raya (Katerina Lipouska). Tudo começa bem, mas a garotinha demostra alguns comportamentos atípicos, como comer exageradamente e guardar comida nos bolsos. Aceitável para uma criança que provavelmente deve ter passado fome. Mas isto será apenas a ponta do iceberg e outros comportamentos bizarros virão a seguir. 

Imagem: PÖFF24

Agressividade extrema, birras, gritos, desenhos estranhos, incêndios, problemas na escolinha e atos perigosos colocando a vida da irmã em risco. A pequena Raya guarda segredos que a fazem sofrer. Diagnosticada com Transtorno do Apego Reativo pelo psicólogo que a acompanha, a mãe é aconselhada a interná-la em uma instituição adequada para o tratamento, pois amor não será suficiente para ajudar a garotinha. Raya não sente empatia, não demonstra emoções, pois uma área do seu cérebro está atrofiada, resultado dos traumas sofridos na infância. Sua psiquê se blindou para preservá-la do tormento emocional. Quando a situação chega a um limite inaceitável envolvendo animais mortos e abuso físico, a mãe percebe que algo além da imaginação está acontecendo. 

A vida de Wiebke vira de ponta cabeça ao ponto de ela negligenciar os cuidados com a casa e Nikolina e quase perder o trabalho. Em pânico, essa mãe amorosa fará de tudo para ajudar a filha e não chegar ao ponto de devolvê-la. Ela recorre a forças sobrenaturais. Quem assistiu A Profecia na certa se lembrará de Damien. É aí que o filme dá uma guinada e nos surpreende com um terrorzinho básico. Alguns sustinhos estão previstos. Confesso que fui esperando uma história de amorzinho e literalmente tomei uns sustos. Mas, no conjunto da obra, as tramas se encaixam e termina bem OK. Um filme peculiar, que não tem classificação: pode ser terror ou não! Confira!!

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