15.9.20

Greed - A Indústria da Moda

Greed - A Indústria da Moda || Disponível nas plataformas digitais
Crítica por Helen Nice

"O lado B da glamorosa indústria da moda."

Imagem cedida pela Sony Home Entertainment 

Greed (Ganância) tenta fazer sátira sobre a exploração da mão de obra e o subemprego em contraste com a vida maravilhosa dos super ricos. Sob a direção de Michael Winterbotton, o filme inicialmente nos apresenta o jovem Richard (Jamie Blackley)que desde cedo já apresentava uma personalidade fechada, porém desonesta e gananciosa, querendo sempre levar vantagem sobre os colegas. Jamie está muito bem no papel. Apoiado pela mãe (Shirley Henderson), desenvolve essa característica e começa a dar seus primeiros passos no comércio de roupas e acessórios.

Após alguns negócios mal sucedidos, o jovem de visão percebe que teria que manipular melhor seus ativos. Sua visão comercial o leva a procurar fornecedores nos países com mão de obra mais barata, o que tornaria seus produtos mais competitivos no mercado. Uma baita jogada de mestre, não fosse o fato que essa mão de obra viria de países com uma situação econômica precária e trabalho com remuneração beirando a escravidão. Seu império cresce rapidamente e ele adquire algumas das lojas de departamentos mais famosas de Londres, tornando-se um dos mais bem sucedidos empresários do ramo.

Sir Richard Mc Greadie (Steve Coogan) se torna um dos homens mais ricos da Grã Bretanha, conhecido como "rei da rua". Porém o apelido que melhor o define é "Greedy" McCreadie. O filme joga com o tempo e mostra um período mais recente quando o multimilionário está perante o Comitê Parlamentar sendo investigado pela falência de uma de suas cadeias de lojas. Em outra fase, vemos os preparativos para as comemorações dos 60 anos do ricaço na paradisíaca ilha grega de Mykonos. A festa com a temática do Coliseu e jogos romanos ao estilo Gladiador tem até um leão real para entreter os convidados. Bizarro!

Imagem cedida pela Sony Home Entertainment 

Apesar do filme não ser baseado em fatos reais, a festa satiriza o presidente do Grupo Arcádia e sua festinha de 50 anos. A junção das épocas é feita pela visão do biógrafo oficial Nick (David Mitchel) que entrevista parentes e conhecidos para colher informações para o livro. Nick tem boa formação vide as citações de frases famosas de autores clássicos, porém se sujeitou a escrever por dinheiro. Nick sobrevive em um mundo ao qual não pertence. O contraste se torna mais nítido ao mostrar refugiados sírios acampados na praia "pública" onde será a festa e onde também está sendo filmado um "reality" show. Preconceito e discriminação mode 0n! Mas a sátira atinge seus objetivos ao retratar o abismo econômico imenso que existe entre a linha de produção em países como Sri Lanka, Bangladesh, Myanmar, que utilizam até 80% de mão de obra feminina pagando salários irrisórios, e o mundo glamuroso dos ricos, composto em sua maioria esmagadora por homens, e as empresas que vendem essas roupas. No final há dados sobre isso.

Falha do filme: a computação gráfica na cena do leão - bem fraquinha. Valeu para as risadas, só! O peso emocional do filme fica por conta da funcionária de McCreadie, Amanda (Dinita Gohil) que, de maneira sutil, vai nos revelando sua história até o ato final. Ainda no elenco estão: Sophie Cookson (Lily), Isla Fisher (Samantha), Asa Butterfield (Finn). Ponto alto da trilha sonora: Money, Money, Money do Abba. Caiu feito uma luva! Mensagem do filme: aquela roupa de marca chic que você consome veio da exploração de alguém e está tornando um outro alguém mais rico. Repense seu consumismo!!

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