14.9.20

Espírito de Família

Espírito de Família || Estreia dia 17 de setembro nas plataformas digitais
Crítica por Helen Nice

Imagem cedida pela A2 Filmes

Essa comédia dramática francesa com roteiro e direção de Eric Besnard segue a linha leve e descontraída do diretor e me surpreendeu. No elenco temos o casal François Berlé (Jacques), Josiane Balasko (Marguerite) e os filhos Guillaume de Tonquédec (Alexandre) e Jérémy Lopez (Vincent). Completam a família: Isabelle Carré ( Roxane) esposa de Alexandre e Jules Gauzelin (Max) filho deles; e Marie-Julie Baup ( Sandrine) esposa de Vicent. Tem também o jogador de rugby que veio de Fiji e se hospeda na casa. Gentil e emotivo, será um capítulo à parte nesta história toda.

Alexandre é escritor e vive imerso em suas histórias, dando mais atenção para seus personagens do que para a vida real e seus familiares. As pessoas o definem como "sem graça", "sem sal", egocêntrico e egoísta. Consequentemente, seu casamento está em crise e à beira de uma separação. Sua esposa Roxane não suporta mais dividir o marido com seus personagens e estar sempre em segundo plano. Seu filho Max, está crescendo sem a presença efetiva de um pai participativo. Max é muito inteligente e parece ser muito maduro e coerente para sua pouca idade. Jacques tenta alertar Alexandre sobre suas atitudes, porém ele está sempre distante, no seu mundinho fictício.

Imagem cedida pela A2 Filmes

Aliás, a família toda parece ser disfuncional. Vicent vive em função do trabalho. Está o tempo todo ao celular tentando negociar o agenciamento de jogadores de rúgbi. Obvio que seu casamento também vai mal das pernas. Sua esposa Sandrine tem mudanças bruscas de humor e depende de medicamentos para não surtar...mais! Ela chora por nada! Toda essa situação resultou da criação que tiveram. Jacques e Marguerite também empurraram o casamento com a barriga e deixaram se levar pela rotina, já que Jacques preferia escrever e viajar sozinho para tirar fotos a ficar com a família. A mãe tentou ser forte e superar as traições, mas também sofreu com isso.

Um dia, em uma reunião de família em que todos estavam presentes apenas para manter as aparências, o inesperado acontece. Jacques tem um mal súbito e morre. Após a cremação, Alexandre passa a ver, ouvir e interagir com o pai morto... que continua resmungão como sempre! Para o resto da família ele está ficando maluco e conversando sozinho. A situação cria um reboliço na família e situações bem engraçadas. Alexandre procura terapia e as questões guardadas no subconsciente começam a vir à tona.

Imagem cedida pela A2 Filmes

O filme procura tratar como comédia assuntos dramáticos da personalidade de cada personagem. Tudo aquilo que de alguma forma todos foram guardando no decorrer da vida, momentos felizes ou traumas e mágoas e evitaram tocar, agora ficou evidente com a morte do patriarca. A mãe que parecia forte sente o baque da falta do companheiro. Caminhar com a urna funerária é bem impactante. - "caminho todos os dias com seu pai há 30 anos." A canção tema "Father and Son" dá um clima emotivo ao filme.

A trilha sonora tem momentos divertidos também. Com cenas engraçadas somos levados a refletir sobre aquele "eu te amo" que sempre vamos adiando. O fato de ver o pai dá a Alexandre mais uma chance de consertar o passado. A cena do carro é uma catarse. Comovente... derramei lagriminhas! Se você pudesse reviver sua vida em família, faria diferente? A morte veio fortalecer os laços de família e fazê-los se conhecer melhor. A mensagem que fica é "viva a vida". Surpreenda!! É importante surpreender!

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