16.9.20

Beleza Eterna

Beleza Eterna || Disponível nas plataformas digitais
Crítica por Helen Nice

Imagem cedida pela Sony Home

A partir de hoje (16/09) chega às plataformas digitais mais uma excelente opção para compra ou aluguel. Estou falando de Beleza Eterna (Eternal Beauty), que tem no título uma referência aos cremes faciais que prometem juventude eterna ao alcance das pontas dos dedos. Mas estaria a beleza restrita apenas ao que podemos ver e comparar? Apenas o que é considerado "normal" pode ser belo? Normal is boring!!

Protagonizado pela maravilhosa Sally Hawkings, que já foi indicada ao Oscar por filmes como A Forma da Água e Blue Jasmine, este drama com toques de humor mostra a emocionante trajetória de amor e superação de Jane, uma portadora de esquizofrenia paranoica. A história retrata o preconceito e tabu enfrentado pelos portadores da doença nos anos 70/80.  "Esquizofrenia paranoide, também chamada de esquizofrenia do tipo paranoica é um subtipo de esquizofrenia. É o tipo mais comum de esquizofrenia. A esquizofrenia é definida como "uma doença mental crônica em que uma pessoa perde o contato com a realidade (psicose). O quadro clínico é dominado por ilusões relativamente estáveis, muitas vezes paranoicas, geralmente acompanhadas de alucinações, particularmente da variedade auditiva (ouvir vozes), e perturbações das percepções. Estes sintomas podem ter um efeito enorme sobre o funcionamento e pode impactar negativamente a qualidade de vida de uma pessoa. A esquizofrenia paranoide é uma doença permanente, mas com o tratamento adequado, uma pessoa que sofre da doença pode viver uma vida com qualidade melhor." (Wikipedia)

Imagem cedida pela Sony Home

O drama escrito e dirigido por Craig Roberts tem no elenco: David Thewlis (Mike), Billie Piper (Nicola), Penelope Wilton (Vivian), Morfydd Clark (jovem Jane), Robert Pugh (Dennis), Alice Lowe (Alice) e Robert Aramayo (voz do amante), entre outros. Jane sofreu desde jovem com pais que não a compreendiam e não percebiam que ela já mostrava traços de que sua realidade não era a mesma das irmãs. Comparações, exigências que ela não podia cumprir a faziam ser deixada de lado em detrimento da bela irmã que poderia casar e ter filhos, o que era esperado de uma mulher na época.

O trauma de ser abandonada no altar desencadeou a ruptura com a realidade e Jane fechou-se em seu mundo imaginário, onde a voz de seu amante repetia constantemente aquilo que ela mais desejava ouvir. Juras de amor eterno que a faziam seguir adiante, apesar de tudo e de todos. A terapia mais confundia do que ajudava e as técnicas usadas na época eram cruéis. Os remédios a tiravam de órbita. As consequências de uma família disfuncional também pesaram em seu diagnóstico. O amor apareceu na idade adulta, mas Jane era tratada como uma incapaz de tomar suas próprias decisões. O parceiro, Mike, um músico sem grande aptidão, entendia seu mundo. Pessoas quebradas procurando se completar. E, mais uma vez, a família atrapalhou.

O enredo é propositalmente confuso e atordoante e faz o expectador entrar nesse universo caótico e desconhecido da mente humana. A rotina diária de uma mulher portadora de uma doença...o que é real, o que é imaginário? Sally Hawkings consegue como ninguém desempenhar esse papel. A trilha sonora e a fotografia intensificam a sensação de incomodo e opressão. O caminhar solitário, as ruas desertas, as refeições, o telefone que toca insistentemente. Tudo bem moldado para envolver o público e transportar o expectador para o mundo de Jane. Um mundo sem cor. E apenas Jane tem o poder de transformá-lo!

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