7.8.20

Razão e Sentimento || Jane Austen


Desde quando comprei o box da Nova Fronteira estava ensaiando reler Orgulho e Preconceito e Razão e Sentimento, além de ler Emma, a obra desse box que ainda não tinha lido. Aproveitei que o Jane Austen Brasil estava promovendo uma leitura coletiva de Razão e Sentimento e li. Começo já dizendo que a minha experiência de leitura não foi boa devido a tradução da obra, problema que tive também com Orgulho e Preconceito, mas explico isso melhor quando for falar dele em outra resenha. Eu não me lembro quando foi a primeira vez que li Razão e Sentimento, Sensibilidade na edição da Martin Claret, mas me lembro de ter gostado muito da experiência e tenho um carinho por esse livro porque li em uma viagem maravilhosa que fiz para Florianópolis, foi meu companheiro de viagem.

O que aconteceu exatamente. Jane Austen é uma das autoras que mais tenho carinho e gosto de ler. Orgulho e Preconceito foi durante muito tempo meu livro preferido da vida, então eu conheço sua escrita e adoro. A leitura de Razão e Sentimento da Nova Fronteira não andou como eu gostaria porque essa é a segunda tradução do livro lançada no Brasil, em 1982. Essa tradução do Ivo Barroso é consagrada, mas na minha experiência de leitura não foi boa, pois usa palavras antigas que eu nunca vi e nem sabia como colocar uma palavra similar para entender o contexto. Com isso a leitura foi arrastada, sem fluidez nenhuma. Ler Jane Austen não é fácil, seus diálogos são complexos e com interpretações em camada. Dificilmente ela está dizendo o que quer dizer sem algo por trás, geralmente uma crítica. Isso nunca me impossibilitou de lê-la e isso não aconteceu com essa edição, já que terminei o livro, mas claro que a experiência ficou aquém do que eu esperava.

Não tenho medo de mostrar meus sentimentos e fazer coisas imprudentes, pois acredito que o que não se mostra, não se sente.


Significa que a estória é ruim? Longe disso, como disse a Jane Austen é incrível. O que recomendo são traduções mais atuais, que utilizem palavras com um entendimento mais acessível, ou edições comentadas. É complicado ler um livro que você tem que parar toda hora para pesquisar o que a palavra significa, porque nem o contexto você entende. Mas que fique claro, uma tradução atual não significa uma tradução facilitada ou adaptada. Não quero que a escrita dela seja modificada, digo isso porque tem editoras que lançam versões mais simples que me deixam em duvida se elas realmente trazem todos os entendimentos que a autora quer passar. Explicado isso vamos ao enredo. 

Razão e Sentimento é uma obra que fala sobre o cotidiano de quatro mulheres da família Dashwood, mãe e três filhas, e foca principalmente nas duas irmãs mais velhas, Marianne e Elinor. No começo do livro as mulheres estão se mudando da casa que sempre viveram porque o pai morreu sem deixar um herdeiro do sexo masculino. Isso é um ponto que a Austen sempre levanta nas suas obras, a injustiça com as mulheres quando uma família não tinha herdeiros homens, elas perdiam a casa e outros bens. Marianne e Elinor vão para uma casa de campo e começam a frequentar novos círculos de amigos. Ao se mudar, Elinor deixa uma paixão para trás, Edward, irmão da cunhada. Já Marianne se encanta por Willoughby, que ela conhece logo que se muda. Outro personagem importante é o Coronel Brandon, que também se interessa por Marianne assim que a conhece, mas que não recebe nenhuma atenção da moça por ser mais velho.

Às vezes somos guiados pelo que dizemos de nós mesmos e com muita frequência pelo que outras pessoas dizem de nós, sem que paremos para refletir e julgar.


O título do livro faz referência a personalidade das duas irmãs. Elinor é a razão, mais sensata e apaziguadora, pensa mil vezes antes de agir. Marianne é o sentimento, a paixão, impetuosa, se joga nas coisas de cabeça. Em alguns momentos do livro isso meio que troca, a Elinor vive uma grande paixão, só que não demonstra, sofre por isso. Depois de uma grande decepção, Marianne se torna também um pouco razão. Eu vejo a autora querendo dizer que podemos expressar vários sentimentos ou às vezes nenhum, que julgar é precipitado. Tanto que o Willoughby não é quem parece ser mesmo, o famoso lobo em pele de cordeiro. Edward também a gente acha que segue por um caminho e toma outro completamente diferente. Talvez o mais constante seja o Coronel Brandon, que melhora a cada página.

Apesar da experiência de leitura não ter sido boa, esse é um livro que eu sempre vou recomendar. Não considero o melhor da autora, acho que Orgulho e Preconceito e Persuasão são melhores, mas esse é um livro que fala sobre aparências, que elas enganam, e como os nossos sentimentos podem mudar; como a gente nem sempre expressa o que realmente sente. O equilíbrio é importante, ser sensato, mas também apaixonado. Não ser impulsivo sempre, mas que às vezes é bom fazer algo sem pensar. O único ponto que não me agrada 100% é o final da Marianne, que foi rápido e sem uma explicação mais detalhada. Para ela foi um conformismo que me deixou uma impressão de que ela não foi totalmente feliz, que aceitou algo sem a devida paixão de outrora. Não sei, quando penso nela penso que foi menos feliz do que a irmã, que casou com quem escolheu.

Não é o tempo nem a oportunidade que determinam a intimidade, é só a disposição. Sete anos seriam insuficientes para algumas pessoas se conhecerem, e sete dias são mais que suficientes para outras.

Razão e Sentimento
Jane Austen
Nova Fronteira: Instagram/Facebook

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