1.7.20

Uma doce vingança

Uma doce vingança || Disponível nas plataformas digitais
Crítica por Helen Nice


A adolescência é um período conturbado na vida de qualquer pessoa. As cobranças em relação aos padrões de beleza impostos pela mídia, as pressões dos amigos, da escola, da família... tudo se torna um problema. Somados às variações hormonais, tudo isso se transforma em um turbilhão de emoções que são compensadas com os alimentos, nem sempre saudáveis. É essencial fazer parte de um grupo, ter um namorado, ser perfeita... principalmente em tempos de internet. Um fardo para a saúde física e mental. 

Neste filme temos os papéis clichês de todo filme adolescente. A bela (nem tanto) Alice (Alice Manfredi), magra, que se destaca nos esportes, que faz amizade com todos da escola, a queridinha da professora. E as consideradas "excluídas" por terem uns quilinhos a mais e não seguirem o padrão. Mas, se você pensa que a crise da adolescência pesa apenas para as mais gordinhas, não imagina a carga de responsabilidades e cobranças que também enfrentam as que seguem o padrão de beleza. A superação tem que vir de ambos os lados. Claro que a vergonha de não possuir o corpo perfeito é cruel e tentar romper esta barreira e encarar a escola toda em trajes de banho é um ato de coragem. 


Mariagrazia (Giulia Barbuto Costa da Cruz), Chiara (Margherita De Francisco) e Letízia (Fiorellino Giulia) são super amigas. São felizes juntas, cantam, dançam, riem e, naturalmente, comem as delícias da cozinha italiana. São belas e corpulentas, mas não se enquadram no padrão da escola que cobra que elas pratiquem algum esporte e participem das disputas. Elas limitam-se às aulas de hidroginástica. Até que um vídeo das 3 garotas na piscina cai na internet e vira motivo de chacota. A única forma de encarar a questão é mergulhar de cabeça nos treinos e participar da competição de nado sincronizado. Além de tudo, a mãe (Valéria Solano) de Mariagrazia, é a treinadora da equipe de nado e cobra da filha que perca peso e um dia use seu maiô antigo dos tempos em que ela competia, como se isso fosse um troféu. 

O filme aborda a questão de pais que não se realizaram ou se frustraram em algum aspecto da vida e transferem para os filhos a triste tarefa de compensar o passado. Por outro lado, a mãe demonstra carinho e predileção pela aluna magra e perfeita em detrimento da própria filha. O diretor Francesco Ghiaccio, que divide o roteiro com Marco D'Amore, dá pinceladas em vários aspectos da adolescência e cria uma trama que dá oportunidade de reflexão e discussão sobre os assuntos. Mesmo de forma leve e divertida, achei muito interessante como tudo é apresentado. Os círculos sociais, a necessidade de adequação, as cobranças, tanto para quem segue os padrões estéticos, como para as mais gordinhas, o bullying nas redes sociais, o namoro virtual, as mudanças de planos perante uma gravidez na juventude, os julgamentos e preconceitos que todos somos condicionados durante a vida. 

O filme passa uma mensagem simplista de que basta se ter autoestima e tudo se resolve, quando sabemos que as questões são tão profundas como uma piscina. Nada se resolve no raso. Mas o filme abre as portas à reflexão e isso é extremamente positivo e relevante. Sem contar que é divertido, com belas imagens (cada comida boa!!!), trilha sonora agradável. Me surpreendeu! Fica aqui a dica como uma ótima opção para uma sessão em família. Disponível em: AppleTV, NOW, GooglePlay, YouTube, VivoPlay.

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