17.6.20

Um novo conto de Cinderela

Um novo conto de Cinderela || Disponível nas plataformas digitais
Crítica por Helen Nice


E vamos a mais uma releitura do clássico Cinderela, desta vez ambientado nos dias atuais, com celulares, chamadas de vídeo e músicas modernas. Mas a trágica vida de Cinderela parece não mudar. Temos a temática da jovem que sofre e é recompensada com o casamento, a heroína descoberta através de um sapatinho perdido. Mas transportar um tema clássico para os dias atuais causa um conflito de valores, pois não há identidade entre o público e as personagens. 

Cinderela Perrault (sobrenome ligado à literatura francesa) personagem vivida por Lauren Perez, tem uma vida feliz e confortável em sua mansão de luxo. Se pai, Charles Perrault (nome do pai da literatura infantil na França de Luís XIV), interpretado por Michael Dean Walker, apesar de toda riqueza sempre ensinou o valor do dinheiro e os esforços para ganhá-lo. Vemos isto nas lembranças de Cinderela, usadas para explicar porque ela vive fazendo faxina. Cinderela questionava o fato de não terem empregados mesmo sendo ricos e seu pai explicava que ela somente daria valor aos bens conquistados trabalhando por eles. A garota internalizou essa verdade como absoluta. Boazinha ela, né? Fazer faxina, sendo rica, nos dias atuais. Surreal!!! 

Enquanto o pai era vivo, Cinderela convivia com a madrasta Morgan (Maria Gray) e as filhas Lexi (Jennifer Gasca) e Mercedes (Lina Calé) que não faziam nada e só reclamavam o tempo todo. Recebia o apoio da tia Cláudia (Christine Galliano), que a tratava como filha. Com a morte do pai, as três megeras passam a mandar na casa, tratando Cinderela como empregada. E vocês já sabem o resto da história, né? A história toda se passa na mansão e não há cenas externas o que limita bastante o enredo. O filme não inova em nenhum aspecto e segue o roteiro original à risca, o que perde o sentido se transportado para os dias atuais. Tarefas domésticas, o "príncipe" que segue as ordens do pai, baile, sapatinho... nada disso se encaixa com a realidade. Cinderela conhece Adam (Adrian De Armas) e se apaixona. Sua vida se transforma após a leitura de um testamento encontrado em uma parte secreta da casa. 

Essa não é uma das melhores versões de Cinderela. Tudo soa muito amador e as interpretações são fracas e forçadas. O figurino também deixa a desejar... Como alguém tão rica passa vários dias com a mesma blusinha! De qualquer forma, o filme traz de volta os temas: rivalidade entre irmãos, o valor da humildade, a recompensa das virtudes e o castigo da maldade. Talvez um público infantil veja com outros olhos e consiga se divertir sem se importar com a qualidade técnica do filme. E, como é um conto de fadas, tudo é possível!

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