29.6.20

Mulherzinhas || Louisa May Alcott


Ano passado, com o lançamento de uma nova adaptação do clássico americano Mulherzinhas, que conta com as atrizes Saoirse Ronan, Emma Watson e Meryl Streep, choveu de edições do livro. Recebi essa da Planeta empolgada com o filme, mas também com o clássico em si que nunca tinha lido. Ah, quem quiser conferir nossa crítica de Adoráveis Mulheres, tem um texto muito bom, mesmo, aqui. Mulherzinhas acompanha o dia a dia de cinco mulheres, as March, sendo a mãe e suas quatro filhas durante a Guerra Civil americana. O pai é convocado para a guerra e cabe as mulheres cuidarem de tudo em sua ausência. 

A Sra. March é mãezona, a sábia e que orienta as filhas nos problemas que enfrentam ao longo do livro. É a figura que mais inspira, que dá aconchego e é o pilar dessa família. Falando das filhas por ordem de idade. A Meg é a mais velha e a mais maternal; leva a sério o fato dos mais velhos cuidarem dos mais novos. É um pouco frívola às vezes, mas nada que os ensinamentos da vida não conserte. Sonha em fazer parte da alta classe casando com um marido rico. A Jo foi a minha personagem preferida do livro. Ela é uma moça diferente da sua época, que gosta de escrever, atuar e não se importa com aparência, roupas e outras coisas ditas "femininas" como as irmãs. É um espirito livre que quer ter as mesmas oportunidades que os homens. 

Vale dizer que o livro foi inspirado na vida da própria autora com a família e Jo a representa. As duas queriam ser autoras de sucesso e escreviam o que o mercado pedia para ganharem dinheiro para sustentar a casa. Isso se reflete no próprio livro Mulherzinhas, que sofreu alterações por causa do que as pessoas queriam, no caso que a Jo se casasse. Louisa era contra e escreveu o fim da personagem que a representava às pressas, e um final diga-se de passagem que não combina com o resto do livro e não agrada a muita gente. Outra questão que gera questionamento nesse livro, é o fato de que a autora nunca se causou e teve relacionamentos com mulheres e um homem. De certa forma, isso está na personagem e em como ela se relaciona com os homens no livro.

Quase desejo que não tivesse nenhuma consciência, pois é tão inconveniente. Se não me importasse em fazer o que é certo e não me sentisse desconfortável fazendo o que é errado, eu me daria muito bem.


Beth é a irmã mais bondosa, tímida e doce, aquela que traz união para a família e tenta sempre inspirar o bem nas pessoas. É ela que fará a gente se emocionar durante a leitura. Amy é a mais nova e a mais vaidosa; quer ser artista e tem talento como desenhista. Quando fica um pouco mais velha, também quer alçar posições na alta sociedade. Um outro personagem que é de grande importância é o Laurie, um vizinho de boa família que se envolve nas brincadeiras, e dores, das meninas e passa a fazer parte do convívio delas de menino até adulto, tem uma paixão por Jo desde jovem. Vai ficar até certa parta da estória a interrogação de se a Jo e o Laurie vão ficar juntos. Isso só é revelado na segunda metade do livro, que foi a parte que a autora escreveu por pressão dos editores e fãs.

O livro é narrado por um narrador onisciente, em 3ª pessoa mas que às vezes participa do livro, e na minha percepção os capítulos não se conectam de uma forma linear. Cada um traz um ensinamento, uma lição ao final, mas se você ler fora da ordem não vai alterar muito o entendimento da estória, pelo menos eu tive essa impressão. Mulherzinhas foi escrito para ser um livro para mulheres, que passasse o tempo delas de uma forma "proveitosa". Por muitos anos foi taxado apenas como um livro menor, dentro dos clássicos, e sem muita coisas a se discutir, o que é completamente errado na minha opinião. A leitura para mim foi muito interessante por causa da esperança que ele traz, de que coisas ruins acontecem com todo mundo, mas que elas passam. A grande parte desses ensinamentos é passado pela mãe, com sua experiência de vida, e outros as meninas aprendem lidando com a vida.

Prefiro vê-las casadas com maridos pobres, se estiverem felizes, amadas e contentes, a vê-las como rainhas em tronos, mas sem respeito próprio e paz.


O livro fala muito sobre família, união, convivência entre pessoas diferentes. As irmãs são diferentes umas das outras e brigam em muitos momentos, mas contornam isso cedendo a individualidade de cada uma, aceitando como são. Outro ponto que me agradou foi como o livro dialoga com Deus, como a mãe e as filhas conversam com Ele e tentam seguir seus ensinamentos sendo pessoas melhores. Num momento como esse, de duvida sobre como as coisas vão ficar, um livro que traz esperança era tudo o que eu precisava. Não li com a rapidez de outros livros, mas devagar refletindo sobre o que ia aprendendo, sobre o que o livro estava querendo me dizer. Embora ele tenha sido escrito de uma forma moralista, como muitos gostam de dizer, isso não me desagradou. Quem ler este livro pensando que encontrará mulheres submissas e que aceitam seus destinos tranquilamente, ficará bem desapontado.

Ele conversa com questões atuais como casamento, desigualdade entre homens e mulheres, as expectativas em cima da mulher, o que é aceitável ela fazer e ser. Então Mulherzinhas, embora com esse titulo que eu não gosto muito, é bastante atual mesmo escrito a mais de 150 anos. Foi uma leitura que eu adorei e recomendo, só achei o final um pouco destoado do resto e por isso não foi favorito, mas foi muito bom! Acho a capa dessa edição da Planeta umas das mais lindas. Só acrescentaria uma capa dura, porque esse formato de bullet journal ficou sem orelha e as pontas levantam. Outra consideração é o tamanho da fonte, um pouco menor do que de costume, mas não atrapalha muito a leitura. Essa edição conta com o texto completo, ou seja, os dois livros que compõem a estória, e um posfácio da autora María Dueñas. 

... o amor é a única coisa que podemos carregar conosco quando partimos, e ele torna o fim tão fácil.

Mulherzinhas
Louisa May Alcott
Editora Planeta: Instagram/Facebook

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