9.3.20

Terremoto

Terremoto || Estreia em 12 de março de 2020
Crítica por Marcelino Medeiros


Filmes catástrofes tem uma fórmula bem definida: desastre imprevisível e inevitável que ocorre em uma comunidade (prédio, cidade, mundo, etc), em que um herói, após muito suspense e diversos sustos, salva a si mesmo e a entes próximos, com final feliz e glorioso para alguns e morte terrível para outros. O que faz um filme catástrofe ter sucesso? Faça pequenas variações nessa fórmula de êxito, mas no geral a siga à risca. E aí é só esperar a entrada dos dólares.

O filme norueguês Terremoto, do diretor John Andreas Andersen, segue exatamente isto. Há variantes, mas o clichê está presente, o que caracteriza o filme como formulaico e esquecível. Vale a pena assistir? Claro, são 108 minutos de pura diversão. Entretenimento puro! E que variantes foram essas? Pegue como cenário um local pouco visto no cinema: uma Noruega deslumbrante, numa fotografia belíssima de seus fiordes, canais e da encantadora capital Oslo; acrescente um herói quarentão frágil, com estresse pós-traumático, depressivo, separado da esposa, com crises de choro e pai ausente, um exemplo de masculinidade frágil e exposta.

Após este novo alento à fórmula, segue o clichê: homem solitário fora do sistema prevê que uma catástrofe vai acontecer, mas ninguém acredita, exceto um ou dois parceiros; a calamidade acontece, muita gente morre, mas o herói milagrosamente escapa de várias ciladas e no final salva seus entes queridos, após muitas situações de suspense e a morte de pelo menos um coadjuvante importante, para despertar as emoções da plateia.


O roteiro, em si, é bem simples. A Noruega, em 1904, foi atingida por um terremoto que devastou a capital Oslo e arredores. Há uma grande possibilidade de nova catástrofe acontecer e os cientistas monitoram a área, acompanhando qualquer indício de abalo sísmico. O geólogo Kristian, há alguns anos atrás, passou por uma experiência traumática de terremoto em região remota da Noruega, tornando-se um herói nacional por salvar sua família e outras pessoas. Devido, mesmo com todos seus esforços, várias pessoas terem sucumbido na catástrofe, o herói fica com estresse pós-traumático e acaba se separando da esposa e dos dois filhos (um jovem universitário e uma pré-adolescente), isolando-se de todos e vivendo com depressão, à base de remédios.

Um colega cientista morre em desabamento num túnel após enviar correspondência ao Kristian alertando que ocorrerá em breve um terremoto de grande magnitude na região de Oslo. Com a ajuda da filha do colega, a jovem Marit, o herói comprova esta suspeita de catástrofe iminente e corre, numa loucura desenfreada, para salvar sua esposa Idun e os filhos Sondre e Julian do terremoto que está prestes a acontecer. Entra então a parte divertida: muitos sustos, muitas mortes, muito suspense. Os efeitos especiais são excelentes, as cenas de Oslo destruída por efeito do terremoto são críveis; a trilha sonora pontua bem os momentos de tensão, alívio e emoção, e os atores cumprem bem seu papel, em atuações corretas, mesmo que sem brilho. O roteiro é que é simplista demais, os clichês se repetem e os desdobramentos são previsíveis. Diversão esquecível em um final de semana monótono!

Nota: 4/10.

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