20.2.20

Frankie

Frankie || Estreia em 20 de fevereiro de 2020
Crítica: Helen Nice


Françoise Crémont é um ícone do cinema francês e que enfrenta uma doença terminal. Seu apelido carinhoso entre familiares e amigos é Frankie - que dá nome ao filme do diretor norte americano Ira Sachs e seu roteirista habitual, o brasileiro Maurício Zacharias. A parceria vem de outros trabalhos como Melhores Amigos e Deixe a luz acesa. Neste drama, a protagonista Frankie, interpretada pela famosa Isabelle Huppert, sabendo do pouco tempo de vida que lhe resta decide convidar familiares e uma amiga para um "viagem em família", a fim de se aproximar daqueles que ama e fazer os últimos acertos, por assim dizer. O local escolhido é a bela cidade de Sintra em Portugal.

Oito personagens acompanham Frankie em sua trajetória decisiva e tem situações paralelas exploradas. Como em um enorme caso de familia toda "roupa suja" será lavada neste encontro derradeiro. O atual marido de Frankie, o britânico Jimmy (Brendan Gleeson) enfrenta o luto antecipado e sofre calado, um tanto quanto perdido, como um andarilho na cidade, o que é perfeitamente admissível na situação que ele vive. O amor de sua vida vai partir. O ex marido de Frankie, o francês Michel (Pascal Grégory) é um peixe fora d'água e parece não atinar sobre o que realmente está acontecendo. Seu diálogo com Jimmy sobre a vida pós Frankie é totalmente sem propósito.


Os dois tiveram um filho, Paul (Jérémi Rennier) que se prepara para mudar para Nova York e age como um adolescente imaturo. Talvez por isso, Frankie tenha convidado sua amiga, a também atriz Ilene (Marisa Tomei) na esperança de formar um casal com seu filho. Mas Ilene chega com um namorado, o assistente de fotografia Greg (Gary Kinnear) que não tem grande peso na história e logo sai de cena. Temos também a enteada Sylvia (Vivette Robinson), seu marido Ian (Ariyon Bakare) e a filha adolescente Maya (Sennia Nenua). Eles formam uma família disfuncional e problemática à beira de um divórcio. O adolescente como é de se esperar, se isola na praia com outros jovens. Uma boa oportunidade de vender as belas imagens da Praia das Maçãs. A fotografia é muito bonita e vende muito bem um roteiro turístico à Portugal. Praias paradisíacas e muito verde mostrado nas longas caminhadas de Frankie. Uma contradição já que a ideia era ficar próxima dos seu convidados.

O motivo da viagem, que aparentemente não fica claro para todos, faz com que paire sobre as situações um ar melancólico, onde reina um sentimento de perda iminente mal trabalhado. Todos parecem propositalmente perdidos. O luto precoce permeia olhares e diálogos que não se aprofundam justamente para não encarar o momento trágico que os antecede. A cena final com uma longa caminhada em plano aberto simboliza a liberdade das obrigações sociais, um momento de demonstrar, pela última vez, aquele amor puro que os une como família. Apesar das falhas humanas e desencontros ainda há um sentimento maior. Melancolia é a palavra de ordem. Tudo passa devagar como que para adiar o fim inevitável. Apesar de tudo, ainda resta um sopro de vida que une essas pessoas sem necessidade de palavras.

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