13.2.20

Dilili em Paris

Dilili em Paris || Estreia em 13 de fevereiro de 2020
Crítica: Helen Nice

Às vezes a vida se mostra satisfatória... e só começou!

O roteirista e diretor francês Michel Ocelot, autor da trilogia Kirikou, nos presenteia desta vez com o delicioso "Dilili em Paris", que apesar de não ter sido apresentado em festivais, teve um ótimo índice de aprovação da crítica e do público. O filme começa com o "zoológico humano" em que Dilili se apresenta, comum na época. Tendo a Torrel Eiffel ao fundo, mostra a nata da sociedade em contraste com o "diferente". Dilili é uma jovem da etnia Kanak, nascida na Caledônia (um arquipélago da Oceania que é parte da República Francesa), que fugiu de sua terra natal escondida em um navio e foi descoberta e criada por uma nobre e educada pela professora e escritora Louise Michel. Caledônia é a porção de terra mais distante do seu respectivo país soberano, estando localizada aproximadamente 16000 km da capital francesa Paris (Wikipedia).

Sendo assim, Dilili fala sua língua local e também o francês perfeitamente, como ela faz questão de frisar. Como foi educada pela aristocracia, possui cultura e modos refinados. Extremamente inteligente e perspicaz, conhece artes, literatura, música, ciência e utiliza esse conhecimento para juntamente com seu mais novo amigo, o entregador Orel, investigar uma série de crimes de sequestro à garotinhas realizados pelos Mestres do Mal.

A trama do mistério será emoldurada pela belíssima fotografia da Paris da Belle Époque, enquanto exploram os cantos da Cidade Luz. Dilili segue as pistas nos levando em uma jornada que mescla fantasia e realidade, à medida que apresenta personagens conhecidos que a ajudam dando dicas sobre os sequestradores. Picasso, Mucha, Rodin, as bailarinas do Molin Rouge, Monet, Renoir, os irmãos Lumiere, Sarah Bernard, Louis Pasteur, o futuro Rei da Inglaterra e até nosso Santos Dumont apresentado como Alberto, o genial brasileiro que é capaz de voar, são alguns dos nomes famosos.


Prepare-se para uma viagem deliciosa, emoldurada por cores e belas canções. A Belle Époque com seus belos vestidos, chapéus e visual primoroso aparece lado a lado com todos os gênios que Dilili e Orel encontram pelo caminho. A riqueza material e humana da época é explorada no roteiro e encanta nosso olhar e sentidos. O primor visual se completa com uma história profunda sem ser densa, sobre os horrores da opressão e submissão que os homens fazem às mulheres, sobre o preconceito e racismo, com um forte caráter feminista, mostrando o empoderamento da jovem, a emancipação da mulher e o cuidado com o outro.

Dilili rebate cada frase ofensiva - negrinha de vestido bonito - com educação e classe. Mas afirma que "feridas secretas acabam se somando". Dilili enfrenta o estranhamento se ser considerada muito "clara" em sua terra natal e de ter a pele muito "escura" para Paris. Questões sérias e profundas são exploradas com leveza e instigam à reflexão. A mistura de fotografia e personagens animados deixa a experiência leve e fictícia. O olhar inocente de Dilili dá a esta animação um ar encantador e belo. Dilili em Paris surpreende!! Particularmente sai do cinema encantada e a bela canção "Le soleil et la pluie" não me sai da memória.

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