20.1.20

Todas as suas imperfeições || Colleen Hoover


Colleen Hoover é sempre um alivio para mim quando as leituras não andam bem. Peguei esse livro para ler no fim de dezembro, assim que ele chegou como presente de amigo secreto entre os parceiros da Faro. Aqui a Colleen vai falar sobre um tema que vira e mexe ela coloca em seus livros: casamento. Quinn e Graham se conhecem no que eles classificam como o pior dia de suas vidas, que é quando descobrem que estão sendo traídos por seus companheiros. O noivo de Quinn está tendo um caso com a namorada de Graham. Ambos terminam tudo ali, naquele momento; e após isso saem para beber e se conhecer melhor. Na verdade, eles ficam bastante curiosos um com o outro. A atração entre os dois é instantânea, mas o que eles passaram não é fácil de superar logo de cara. Graham deixa seu telefone com Quinn esperando que ela ligue quando as feridas sararem, só que ela só faz isso depois de seis meses.

O reencontro acontece em um restaurante e eles estão acompanhado de outras pessoas. Eles deixam esses encontros de lado e ficam juntos, e logo depois começam um relacionamento. Quinn e Graham se casam e a estória começa mesmo depois de um bom tempo desse casamento. Os dois estão com problemas para engravidar, na verdade o problema é a Quinn já que Graham é saudável. A opção de adotar não é viável porque Graham tem uma passagem na polícia e isso impede os dois de serem pais aptos. O casamento começa a se desgastar quando as tentativas de fertilização não funcionam e isso passa a ser um peso para os dois, principalmente para a Quinn, que carrega o peso de ser uma mulher incompleta já que não é mãe. O relacionamento deles vai chegar num ponto crucial, que é a de saber se os dois juntos, sem filhos, vale a pena.

O coração do meu marido é minha salvação, mas seu toque se tornou um inimigo.


O livro é narrado em primeira pessoa pela Quinn e isso foi bom por um lado e ruim por outro. Saber o que ela sente, o peso das cobranças, fez com que eu me sentisse muito mais próxima a ela do que ao Graham. A questão da maternidade ainda é difícil para as mulheres. O fato de não ter um filho parece ser um atestado de fracasso e as pessoas cobram isso na cara dela. Por experiencia própria, isso realmente acontece na vida real. Podemos ter a impressão de que os tempos estão mudando e tal, mas algumas situações ainda são bem cruéis e esse é o caso. O que é retratado no livro não é absurdo. Todos cobram isso da Quinn, mas a pior cobrança é a que ela faz consigo mesma, esperando sempre que uma transa com o marido resulte em um teste de gravidez positivo. Ela perde o prazer de estar com ele porque isso não termina no modo que ela deseja e consequentemente, ela se sente menos mulher do que as outras.

A parte ruim é justamente o Graham não narrar, porque ele é tão importante quanto a Quinn nessa equação. Como é para ele estar num casamento que a mulher não gosta mais de fazer sexo? Tem aversão ao seu toque? Como ele se sente vendo a Quinn se afastando tanto dele? Na minha opinião, um livro narrado alternando entre os dois seria mais interessante. No final tem umas cartas dele, que dão uma noção pra gente de como ele se sente, só que para mim não é a mesma coisa. Além da Quinn narrar o livro, o tempo da estória alterna entre passado e presente. O presente é o casamento destruído e o passado conta como eles se conheceram e foram felizes. Isso equilibra um pouco a tristeza que é esse romance. Na parte do passado vem a alegria do começo de relacionamento, a empolgação da vida a dois, e no presente tem esse elefante branco que os dois não querem mexer por medo.

Sinto sua falta, Quinn. Demais. Você está aqui, só que não está. Não sei para onde foi ou quando partiu, mas não faço ideia de como trazer você de volta.


Eu achei esse livro muito sincero e doloroso. Ler ele é percorrer um caminho de fim de relacionamento, de como guardar sentimentos pode acabar com tudo. A Quinn se questiona muito se não é o momento dos dois conversarem sobre o que está acontecendo, mas ela tem medo, medo de perceber que o casamento acabou, então os dois vão levando com a barriga e perdem a oportunidade de resolver a situação. Tem um momento que os dois vão ser forçados a conversar e aí tudo é vomitado e o livro vai terminar como termina. Nesse processo de fim de relacionamento também, a Quinn vai ter um grande aprendizado. Ela vai amadurecer e começar a se enxergar muito mais que uma possível mãe. A dificuldade que ela realmente tem é a de se ver além disso. O fato dela não ter um filho não faz dela menos mulher, ou menos especial. Mesmo outras mulheres achando esse momento incrível, definidor e importante, se não acontece com você não tem problema nenhum.

Gostei muito de ler Todas as suas imperfeições. Acho que mais uma vez a Colleen soube trazer um livro que levanta questionamentos interessantes sobre relacionamentos e sobre o que define a gente enquanto mulher. Nosso papel só está completo se a gente tem um filho? Toda a minha bagagem de estudo, trabalho e outras experiências não valem nada se no final eu não ser mãe? A Quinn tem esses mesmos pesamentos e para ela é um pouco pior porque ela não consegue engravidar, não é uma opção. O caso dela está além da escolha. Então quem tiver a oportunidade de ler, leia. É a oportunidade da gente treinar a nossa empatia e perceber o quanto comentários, às vezes bobos, podem machucar.

Se você só incidir luz nas suas falhas, todos os seus pontos perfeitos irão escurecer.

Todas as Suas (Im)Perfeições
Colleen Hoover
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