16.1.20

Os Miseráveis

Os Miseráveis || Estreia em 16 de janeiro de 2020
Crítica: Lucas Pereira


Existem poucos nomes tão conhecidos quanto Os Miseráveis. Escrito por Victor Hugo em 1862, essa obra prima contando sobre a França durante um período marcado de rebeliões e troca de poder já foi adaptada inúmeras vezes, para todos os tipos de mídia, até tendo um musical que acabou ganhando três Oscars em 2012. Mas por mais que a obra ainda tenha uma certa relevância social para os dias de hoje, é indiscutível que muitos de seus temas são de outros tempos, principalmente em Paris, onde a obra se passa.

Não existe mais problemas de monarquia e burguesia, e sim de pobreza e riqueza; a justiça não é mais controlada por um monarca, e sim pela polícia. E talvez por isso que o diretor Ladj Ly achou que era a hora de dar uma modernizada no que Os Miseráveis é, criando uma nova história que ainda ecoa muitos elementos do original. Isso não é um remake nem nada do gênero; é algo novo, mas usando o nome de uma obra tão conhecida para adicionar mais peso à mensagem deste filme tão crítico.


O filme foca na história de três policiais: Stéphane (Damien Bonnard), um novato que veio de uma cidade pequena para Paris para poder ficar com seu filho; Chris (Alexis Manenti), o clássico policial que se vê como Xerife de seu distrito; e Gwada (Djibril Zonga), a dupla de Chris, que vê os erros do companheiro mas não tenta pará-lo. Além dos três, o filme segue o ponto de vista de outros personagens: “O Prefeito” (Steve Tientcheu), o homem que se vê como o dono da comunidade negra de seu bairro, e as várias crianças que vivem neste bairro. A maioria delas filhos de imigrantes vindos da África, e as peças fundamentais na construção de um enredo que começa pequeno e acaba chegando em um final explosivo.

É interessante que Os Miseráveis (2019) dividiu o Prêmio de Júri de Cannes com Bacurau, já que os dois servem um propósito bem parecido: eles são uma crítica ao estado da sociedade moderna; Bacurau sobre o Brasil e Os Miseráveis sobre a frança. Não são uma crítica pequena, e sim um dedo na cara, os dois até mesmo compartilhando a ideia do final alto e claro para pontuar a mensagem da história, nãodeixando nenhuma dúvida sobre o que o filme está falando. Existe uma certa polêmica de se esse realmente deveria ter sido a escolha para o Oscar da França - O Retrato de Uma Jovem em Chamas talvez seja simplesmente perfeito demais -, mas Os Miseráveis com certeza têm que ser assistido. Este é um ótimo jeito de se inteirar um pouco na vida de certas pessoas em Paris; mas principalmente, é uma ótima oportunidade de ver como certos problemas existem independente de onde seja.

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