5.12.19

Dois Papas

Dois Papas || Estreia em 20 de dezembro de 2019
Crítica: Helen Nice


Inspirado em fatos reais, estreia no próximo dia 20 de dezembro o aclamado "Dois Papas", do diretor indicado ao Oscar Fernando Meirelles. A ficção é uma produção da Netflix e da produtora O2 e será exibido em algumas salas de cinema a partir de 05 de dezembro, antes de entrar em streaming. Fernando Meirelles, paulistano de 64 anos, tem uma carreira conhecida do grande público com 9 longas, sendo que o auge se deu com Cidade de Deus, e participação em um filme de episódios - Rio Eu te Amo. Fã do Papa Francisco por sua trajetória de vida, Fernando Meirelles reencontra o sucesso com esta película que já ganhou vários prêmios em Festivais pelo mundo e pode ser indicado a alguma categoria ao Oscar.

Dois Papas vem causando boa impressão à critica no exterior. A história narra um momento bastante sensível para a Igreja Católica. Com a morte de João Paulo II em 2006 e o conclave que elegeu o alemão Joseph Hatzinger (Anthony Hopkins) como o Papa Bento XVI e suas ideias conservadoras. Em paralelo temos a vida religiosa mais liberal e simples de Jorge Bergoglio (Jonathan Pryce). O roteiro de Anthony McCarter, baseado em uma peça de teatro, narra a dramática transição de poder na alta cúpula do Vaticano. Em 2012, o Cardeal Jorge Bergoglio frustrado com a direção da Igreja planeja se aposentar, mas para isso precisa do consentimento do Papa Bento XVI. Mas o Papa tem outros planos para Jorge, pois a Igreja vem passando por uma crise séria com vários escândalos financeiros e sexuais, que são abafados e dissimulados.

Deus sempre corrige um Papa apresentando outro ao mundo.


A Igreja necessita urgentemente se reinventar e Bento XVI confidencia à Bergoglio, seu principal crítico, que pretende renunciar. Os dilemas entre a fé e a realidade se enfrentam o tempo todo. Na juventude, Jorge Bergoglio viveu os tempos da ditadura e atuou em pastorais e comunidades com forte atuação política e seria o sucessor perfeito de Bento XVI. A versão jovem de Bergoglio fica a cargo de Juan Gervasio Minujín, ator e diretor argentino que se saiu muito bem no papel. Com a renúncia de Bento XVI, Bergoglio se vê como seu sucessor e futuro Papa Francisco.

O longa com mais de 2 horas foi filmado no Vaticano e na Argentina. As filmagens na Capela Cistina, recriada em estúdio, tem uma fotografia excepcional e figurino perfeito. Papa Francisco, o 266º Papa da Igreja, e Bento XVI são muito diferentes entra si e os diálogos entre os dois nos apresentam textos inteligentes e irônicos, o que contribui para que o filme não se torne enfadonho. O humor sutil permeia as conversas. Dois homens com passados distintos tentando chegar a um denominador comum que satisfaça 1,2 bilhões de fiéis no mundo todo.

O filme é muito honesto e mostra os erros de Bergoglio na juventude, bem como as eleições do Papa como algo político e humano com suas ambições e vaidades. Mas também mostra dois homens que compartilham o amor por sua religião e sua fé no mesmo Deus. A trilha sonora envolvente desde Beatles (Eleanor Rigby) até Mercedes Sosa. Há uma mensagem de amizade entre os dois, e se isto não aconteceu realmente não importa, o que vemos são momentos bem humorados e ternos. Um filme que chegará aos corações dos religiosos e agradará ao grande público, não importa a crença. Esta produção conjunta Reino Unido, Itália e Argentina merece ser conferida!

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