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Um dia de Chuva em Nova York

14.11.19

Um dia de Chuva em Nova York || Estreia em 21 de novembro de 2019
Crítica: Karla Nayra


Certa vez Woody Allen disse, “meus filmes normalmente são mais apreciados na Europa do que nos Estados Unidos”. Tenho a impressão de que talvez não haja um lugar muito especial para mais autores em Hollywood. Sim, Allen é um exímio autor e Um dia de Chuva em Nova Yorque é mais uma prova disso. É possível reconhecê-lo em cada pedacinho da obra e por mais que o filme traga muitas questões internas acerca dele mesmo, a obra ainda consegue alcançar o espectador que aprecia sua cinematografia e toca sua alma de forma inédita.

Dirigido e escrito por Woody Allen, o longa acompanha o final de semana de um jovem casal em Nova Iorque. A grande protagonista do filme é a cidade que Allen já declarou amar mais de uma vez, Nova Iorque. O tempero especial é a chuva que serve como elemento narrativo para exprimir vários momentos: tensão; confusão; beleza; poesia; afeto. Para o autor, Nova Iorque sob a chuva é híbrida, sensorial. A metalinguagem é um recurso muito presente nos filmes de Allen e neste aqui não é diferente. Há um momento em que o diretor se mostra na figura de um novato numa rodagem despretensiosa pelas ruas de Manhattan, noutro momento nos é apresentado um diretor aclamado por seu trabalho, mas que sofre vários distúrbios e inseguranças com relação à sua obra. Esse é apenas um dos vários momentos em que Allen está falando de si próprio. Ele rememora os tempos de outrora quando realizava filmes de baixo orçamento sem maiores pretensões ou pressões e traz a insegurança de um diretor maduro.


Allen é meticuloso na construção dos personagens e não deixa nenhum passar sem algum detalhe marcante. Adoro a capacidade que o diretor possui de problematizar sobre banalidades da vida, dando a elas um peso maior do que elas realmente têm. É assim que, em muitos momentos, Allen nos convida a fazer reflexões sobre coisas que talvez jamais faríamos. No filme, ele faz isso com uma risada. Achei demais! Sem falar em uma revelação arrebatadora que nos deixa de boca aberta trazendo uma resolução, e também uma recompensa, surpreendentemente e engraçada. Não sei. Talvez somente eu tenha achado tanta graça. Sou fã!

Acho que já deu para notar que quando o assunto é uma obra de Woody Allen me pego numa vontade quase que irresistível de falar somente do autor. Mas não poderia cometer o pecado de não apontar as qualidades de toda a mison scene e a atuação do elenco. Afinal, cinema é uma arte coletiva, portanto se uma área falhar pode acabar colocando em cheque toda a obra. Em síntese, Um Dia de Chuva em Nova Iorque é um filme autoral com doses de obra autocentrada, mas nem de longe deixa contribuir enquanto obra de arte. Em vez disso, propõe reflexões densas sobre as banalidades da vida e sugere mais leveza sobre aqueles temas que poderiam se tornar grandes pesadelos.

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