11.7.19

Inocência Roubada

Inocência Roubada || Estreia em 11 de julho de 2019
Crítica: Lucas Pereira


Abordando o difícil tema de abuso infantil, Inocência Roubada é um filme francês dirigido por Andréa Bescond (que também atua como personagem principal) e Eric Metaye, que mescla a realidade e a fantasia para ao mesmo mostrar o peso da história mas não fazer ela uma experiência ruim de assistir. O filme conta a história de Odette Le Nadant (Andrèa Bescond), uma dançarina que finalmente decidiu procurar a ajuda de uma psicóloga (Carole Franck) para falar sobre o abuso que sofreu de um amigo da família, Gilbert (Pierre Deladonchamps). Inocência Roubada conta a história de maneira única: o enredo inteiro está sendo contado nas sessões de psicologia por Odette, que em certos momentos entram no meio da narrativa como observadores.

Inicialmente, a infância é o ponto princial; mas lentamente a história foca mais na vida adulta de Odette, e nos efeitos do abuso nela. Um dos focos de Inocência Roubada é a dança, o hobby da protagonista que acaba virando tanto um escape da vida real quanto uma forma de ela se expressar para o mundo. A primeira cena que vemos ela “contando” para alguém é pela dança; e várias outras cenas, positivas ou negativas, são de algum jeito ligadas à dança. O filme faz um ótimo trabalho no “pacing”, nunca ficando muito nas cenas pesadas entre Odette e Gilbert, mas o suficiente para que a sensação da cena ainda acerte em cheio, e mesclando a vida problemática da protagonista com as coisas boas que ela ainda encontra. Não é um enredo traumático, mas sim um que deixa claro que por mais que um evento impactante e horrível assim afete a vida de alguém, ela não precisa ser controlada por este evento.

Inocência Roubada então atinge muito bem o seu tema, falando dos vários elementos relacionados ao abuso infantil. Ele mostra os elementos mais comuns do início - um adulto próximo que têm acesso a criança -, os efeitos iniciais e a longo prazo, o jeito que Odetta lida com o problema… Não é um filme difícil de assistir apesar do tema, mas expõe a situação e não se assusta em deixar claro todos os desafios que uma vítima sofre mesmo quando adulta, graças, em grande parte, pela ótima atuação de Andréa Bescond.

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