21.10.20

Mamãe Mamãe Mamãe

Mamãe Mamãe Mamãe || Estreia em breve 

 Crítica por Helen Nice 

 

Imagem: Sol Berruezo Pichon-Riviere

 

A jovem cineasta Sol Berruezo Pichon-Riviere dirige e assina o roteiro deste drama que enfoca o universo feminino e foi apresentado no Festival de Berlin, recebendo a menção especial do Juri Generation Kplus. O filme chega agora à Mostra Internacional de Cinema de São Paulo que começa dia 22/10. O enfoque central da história se baseia na morte da pequena Erin que após chamar várias vezes por sua mãe, que está trancada no quarto, vai brincar sozinha na piscina de casa e o pior acontece. A tragédia marca profundamente a vida da irmã de 12 anos, Cleo que é deixada em casa sob os cuidados da tia e suas três primas de 15, 12 e 07 anos, Leoncia, Manuela e Nerina. A mãe entra em profunda depressão ao pensar que a filha morreu por negligência sua. Todo este universo de mulheres, de idades distintas, enfrentará o luto de maneira particular e a narrativa que se seguirá irá nos envolver na tragédia, mas sem exageros ou apelos dramáticos em excesso. 

 

O foco central será Cleo que além do luto e da falta da irmã vai entrar em um período de grandes dúvidas e questionamentos com a chegada da primeira menstruação. O roteiro consegue juntar diversas questões femininas em uma única obra. Angustias, ausências, períodos de vida, cobranças pessoais. Difícil para Cleo encarar que a vida continua e pulsa em seu corpo, apesar da ausência da irmã e do distanciamento da mãe. Uma das primas também faz aniversário, com bolo e bexigas, um contraste de felicidade em um momento de pesar. 

 

Imagem: Sol Berruezo Pichon-Riviere

 

São tantas questões femininas que permeiam a existência destas mulheres, cobrando maturidade a qualquer preço. Cleo terá que abandonar a infância e a inocência de forma brusca. As fantasias das primas ao fazer o enterro do bebê não nascido com a menstruação mostra como a infância e o lúdico ainda está presente. O beijo treinado no tomate denota inocência. As jovens precisam se unir para fortalecer suas identidades. Apesar dos traumas e feridas, as meninas se mostram mais fortes e responsáveis que as mães. O medo de perder a outra filha traz a mãe de volta à realidade. A chegada da avó simboliza, em última instância, o porto seguro. 

 

Mamãe Mamãe Mamãe - como sempre chamamos nos momentos de aflição - é uma obra profunda, que provoca grandes reflexões. Sexualidade e suas descobertas, as mudanças no corpo, o medo do desconhecido, as fantasias, o enfrentamento das perdas que certamente virão com o tempo. O feminino visto por seus próprios olhos, apresentando as múltiplas questões que perpassam o universo da mulher desde a mais tenra idade. A transição faz parte da vida da Mulher desde sempre! No elenco temos: Augustina Milstein, Chloè Cherchyk, Camila Zolezzi, Matilde Creimer Chiabrando e Siumara Castillo.

20.10.20

17 Quadras

17 Quadras || Estreia em breve 

Crítica por Helen Nice 

 

Imagem: Zurich Film Festival

 

Este documentário americano contundente e emocionante fará parte do catálogo da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Em 96 min. de gravações caseiras iremos acompanhar o dia a dia dos Sanford, uma família afrodescendente de baixa renda e seus desafios na luta contra a violência gerada pelo vício. Assistiremos o desenrolar da vida real durante duas décadas e o que veremos será um close cruel das comunidades pobres americanas, muito similar à nossa realidade nas periferias e classes mais carentes. Um retrato devastador que chega em um momento importante do #BlackLivesMatter como uma forma de protesto e conscientização das desigualdades. O título "17 Blocks" é uma referência à distância entre a casa da família e o Capitólio. Distância física e de realidade de vida. 

 

Você já pensou como seria a história de sua vida, caso ela fosse gravada por 20 anos? Muitas mudanças, e com o tempo as perspectivas se perderiam e a noção dos fatos não teriam conexão, ficando apenas fragmentos de memórias e situações. Aqui, o cineasta teve o registro de vida de 4 gerações da família começando em 1999 e alinhou de tal forma a dar sentido aos fatos, criando um roteiro que justifica e expões, sem intromissão emocional ou visão crítica. Começamos por conhecer os irmãos Emmanuel, o caçula, e Smurf, o primogênito, jogando basquete em uma quadra pública. Emmanuel recebe uma câmera e se propõe a filmar a intimidade da família e o local onde moram, uma comunidade a sudeste de Washington. Em pouco tempo, todos estão envolvidos nas filmagens, gerando aproximadamente 1000 horas de gravação, que depois de organizadas mostraram coerência entre fatos, escolhas de vida, decisões boas ou equivocadas, mudanças e tudo que impactou a realidade desta família. 

 

Imagem: Zurich Film Festival
 

O resultado final é muito bom e prende a atenção do espectador, gerando uma inquietude por saber que aquilo tudo é real. Já nas primeiras cenas vemos a mãe Cherryl Sanford chorando, em um relato emotivo ao entrar na casa onde passou sua infância e juventude. Pelo local percebemos que ela teve um certo padrão de vida, estudou em boas escolas, mas isso tudo se perdeu com a entrada precoce em um mundo violento. O relato do momento que sua trajetória de vida foi brutalmente destruída é de causar pesar e revolta. Na sequência, temos a cena de um funeral. Estes dois pontos se conectam e darão início à narrativa do documentário, seguindo uma linha cronológica dos fatos. Sabemos que um elemento da família morre. Quem e como - descobriremos no decorrer do documentário. A família Sanford é composta pela mãe Cherryl, que cria sozinha os filhos Akil "Smurf" Sanford-Durant, Denice Sanford- Durant e Emmanuel Sanford-Durant. 

 

Cherryl tem nas drogas a fuga da triste realidade, dando um péssimo exemplo aos filhos. Smurf abandona os estudos e envereda no mesmo caminho, se envolvendo com más companhias, Denice se esforça para mudar seu destino familiar. Já Emmanuel, meigo e cativante, tem ideias claras sobre evitar as drogas e fugir da violência do entorno onde vive. Estudioso, quer se formar e ser o orgulho da família, seguir a profissão de bombeiro, casar, ter filhos. "As drogas fazem mal, te fazem desistir de tudo e se tornar um fracasso." O documentário dá, naturalmente, a Emmanuel o papel de protagonista da história, como a esperança de quebrar o círculo vicioso ao qual aquela família parece estar fadada. 

 

Os erros dos pais se repetem nas gerações futuras. Apesar do amor, da proximidade e do companheirismo, parece difícil evitar o ciclo de dor e tragédias pessoais. As imagens do sangue sendo limpo das paredes com as crianças olhando é de cortar o coração. O documentário tem uma perspectiva de respeito, sem julgamentos de culpados ou responsáveis. Os sentimentos são narrados apenas, sem intromissão. Esta visão torna a história mais sensível e empática. E sempre fica a mensagem de amor, aceitação, perdão. Dando ao ser humano os créditos de sua existência, com a possibilidade de mudar e seguir em frente, apesar dos pesares. Vale conferir.

Você pediu e a Netflix ouviu: mais Almanaque TUDUM para todo o Brasil

 Olha só o recado que a Netflix tem para quem não conseguiu o seu Almanaque TUDUM de graça!!

 

Crédito: Rodrigo Sacramento/Netflix 

 

Posso não ser o Harry Potter (#gatilho), mas faço mágica acontecer: o sucesso foi tão grande que chegou mais Almanaque TUDUM para você! 

 

Madama Br000na até tentou me avisar: 2019 +1 ia ser "noiz por noiz", e eu achando que Mercúrio retrógrado ia durar o ano inteiro… Que nada! Nasce uma rainha! Tô me sentindo mais poderosa que diva pop trazendo turnê para o Brasil (sdds de um show, né?). 

 

A procura pelo meu almanaque foi tão grande que esgotou. Resolvi dar meus pulos aqui e não me aguento de felicidade! Confirmou! VOCÊS PEDIRAM, E VAI TER MAIS ALMANAQUE TUDUM. 

 

ÃSO NQITAUNEC LMI PÓCISA !!!* 

(Desembaralhe as letras e descubra a notícia) 

 

Você não entendeu nada? #MeAjudaEnolaHolmes. Corre lá no site a partir de agora! Quem pedir vai ter mais uma chance de ganhar o seu Almanaque TUDUM. Continua liberado pra geral. De graça, com todo amor e carinho pra vcs. Não é meme, nem fake. Amigos não mentem, você sabe! 

 

Dona Netflix 

 

Mas afinal, o que é esse Almanaque TUDUM? 

 

São cerca de cem páginas impressas de um almanaque inédito, totalmente gratuito e distribuído para o Brasil inteiro, trazendo histórias, jogos e outras atividades interativas sobre os títulos queridinhos da Netflix. Quem quiser garantir seu exemplar pode fazer seu pedido pelo site almanaquetudum.com.br. Além da versão física, os fãs também terão a oportunidade de conferir o almanaque online em breve e de participar de um evento digital, de 3 a 5 de novembro. 

 

Sobre a Netflix 

 

A Netflix é o principal serviço de entretenimento por streaming do mundo. São 193 milhões de assinaturas pagas em mais de 190 países assistindo a séries, documentários e filmes de diversos gêneros e idiomas. O assinante Netflix pode assistir a quantos filmes e séries quiser, quando e onde quiser, em praticamente qualquer tela com conexão à internet. O assinante pode assistir, pausar e voltar a assistir a um título sem comerciais e sem compromisso.

O Tremor

O Tremor || Estreia em breve 

Crítica por Helen Nice 

 

Imagem: Divulgação
 

Sob a direção, produção e roteiro de Balaji Vembu Chelli, chega à Mostra de Cinema de São Paulo este filme de mistério e suspense representando a Índia na Categoria Novos Diretores. Na trama, um jornalista (Rajee Anaud), que está se preparando para viajar de volta para casa, é enviado para cobrir um grande terremoto que, supostamente, teria destruído todo um vilarejo, causando muitas mortes. Ele se apressa a pegar a estrada em direção ao local, ansioso por ser sua primeira grande cobertura. Ele pretende dar um grande furo ao enviar as primeiras imagens. A grande jogada deste roteiro é manter a atenção do espectador por 72 min. à espera do ápice. 

 

O suspense está no caminho e não no resultado final. E este caminhar, na verdade uma road trip vai nos levar por imagens bem construídas, por montanhas, vilarejos, personagens, situações. Belas imagens que precedem o que seria o local da tragédia. Obviamente, nós como público, já nos preparamos para o impacto das imagens de destruição. Porém, o que teremos são imagens das montanhas do interior do país. Seguindo pistas falsas que o fazem entrar por trilhas na mata, com sons peculiares. Antigas canções tâmil dão o ritmo da narrativa. As imagens com câmera em movimentos bruscos causam uma sensação de desconforto e sufoco. Parece que todos estão contra ele, não querem que ele descubra a verdade e chegue ao objetivo. 

 

O dia passa, a noite chega e uma densa névoa torna tudo mais difícil. A possibilidade de sucesso mediante a tragédia se esvai. Alguns trabalhadores inclusive dizem que, as informações sobre o terremoto são encobertas pelas empreiteiras para não atrapalhar as vendas dos empreendimentos. Um personagem sem nome vagando sem rumo. Seria esta a grande metáfora do filme? Estamos tão acostumados a ter a trama concluída e o desfecho bem amarrado que O Tremor pode chocar ao propor algo diferente e seria interessante se não se perdesse em si mesmo e não levasse, literalmente, a lugar algum.

19.10.20

A Última Jornada

A última jornada || Disponível nas plataformas digitais

Crítica por Helen Nice 

 

 

Imagem cedida pela A2 Filmes


Esta produção do Reino Unido, escrita e dirigida por Perry Bhandal chegou às Plataformas Digitais recentemente como mais uma opção para os amantes de distopias. No elenco temos: Luke Goss (Jay), Flynn Allen (Sira), Peter Guiness (Sarcedote), Matilda Freeman (Lilly), Jennifer Scott (Jesse) e Aneta Piotrowska (Mãe de Sira). O enredo fala sobre uma mãe moribunda que envia seu filho, munido de um misterioso artefato e um mapa, em uma jornada para encontrar um lugar especial que concede desejos. O filme já começa nos apresentando uma citação de The Great Wagon do poeta sufi Rumi. Este início nos dará a linha que a trama seguirá, tendo uma visão mais espiritual que propriamente apocalíptica. 

 

Não espere por grandes eventos, tragédias, sangue, mas sim, se prenda a ideia de um roteiro que deve ser interpretado nas suas sutilezas e nuances. Vá além do óbvio! Esta será uma jornada de auto conhecimento e superação interior. Aqui o inimigo, que é o vento, pode ser visto como um ser imprevisível, de caráter não domável ou previsível, que não pode ser explicado, algo como a morte ou o medo do desconhecido. A salvação encontra-se em um lugar mágico, um campo, espécie de Xangri-lá, onde os sonhos e desejos se realizam. A imagem do local lembra um círculo de pedras. Deduza por si próprio onde poderia ser! O vento, suposto inimigo a ser evitado, realmente mata as pessoas? Elas se transformam em estátuas que se dissolvem, mas haveria a possibilidade de encontrá-las no lugar que realiza desejos? Cada um tem um motivo pessoal para fazer a jornada. O garoto quer reencontrar a mãe, a garotinha deseja rever o pai, a cientista quer seu mundo e amigos de volta, o atirador quer sua esposa. A linha religiosa é tênue e cabe ao público decifrá-la. 

 

O filme lembra Birdbox, Um lugar silencioso, The Rain...Mas este filme é original ao provocar as dúvidas e deixar a cargo do espectador encontrar suas respostas. A esperança está no mapa e no lugar mágico. O poema de Rumi diz; "Além do Bem do Mal, há um campo em que encontrarei você lá." Um filme peculiar, daqueles - ame-o ou deixe-o! O fato é que o roteiro não é óbvio. Confira e tire suas próprias conclusões. Disponível nas versões dublada e legendada em NOW, Looke, Microsoft, Vivo Play, Google Play e Apple TV.

 

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