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Wasp Network

16.10.19

Wasp Network || Estreia em 17 de outubro de 2019
Crítica: Lucas Pereira


Olivier Assayas é um daqueles diretores muito conhecidos ao mesmo tempo que ninguém ouve falar. O nome dele é imediatamente reconhecido nos círculos mais interessados em cinema, pelos inúmeros filmes que já concorreram às mais variadas premiações europeias, os vários documentários, as minisséries (a mais conhecida sendo Carlos, sobre um terrorista venezuelano de mesmo nome), mas até hoje ele nunca fez uma produção realmente popular. Wasp Network é um filme normal, mas causa estranhamento quando comparado a lista de produções do diretor. Embora ele não tenha muito apelo internacional, faltando alguma face realmente famosa mundialmente (apesar de Wagner Moura talvez estar nesse ponto graças a Narcos) e sendo filmado principalmente em espanhol, Wasp Network ainda conta a sua história de um jeito similar à Trapaça (2013) ou A Grande Aposta (2015), com rápidas transições e um enredo contado um pouco fora de ordem para subverter as expectativas dos espectadores.

A história da produção pelo menos é bem na área de Olivier, com um tema político e baseado em fatos reais, desta vez contando a história dos Cinco Cubanos, um grupo de inteligência secreta cubano durante os anos 1990 que operava para proteger o seu país natal. O diretor não esconde sua representação de Cuba nesta época, mostrando tanto a baixa qualidade de vida quanto todos os esforços estrangeiros em tentar destruir o governo comunista a qualquer custo. Os dois maiores problemas que a maioria dos críticos estão tendo com Wasp Network é o ritmo da história e a falta de emoção do filme.


O ritmo é de fato estranho, mas ele não é inteiramente confuso; isso vem tanto da escolha de contar a história dos vários indivíduos envolvidos, como também de querer contar as coisas ao público no momento que vai ter um maior impacto. Por isso ele lembra tanto as outras dramatizações históricas: esses filmes também possuem vários protagonistas e segredos que só são contados nos momentos mais dramáticos, e o jeito que eles acabam sendo editados são muito semelhantes neste aspecto, com cortes rápidos, a necessidade de narração em certos momentos e cenas curtas que servem para estabelecer rapidamente os personagens. Isso também afeta o lado emocional do filme, que acaba - pela quantidade de personagens principais - nunca tendo a chance de conectar a audiência com alguma das pessoas para que você realmente sinta o que o personagem está sentindo.

É uma das falhas do jeito que a história é contada, mas no final acaba criando uma história divertida de ser assistida, que ao mesmo tempo ensina sobre um acontecimento real. E é exatamente isso que Wasp Network tenta fazer, e consegue completamente: ele ensina e diverte, assim como Trapaça e A Grande Aposta. É um filme para assistir se você quer algo animado, mas com um tema mais político.

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