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Senhor das Moscas || William Golding

21.10.19


Senhor das Moscas está na minha estante a um bom tempo. Ele apareceu na citação de algum famoso que eu gosto como sendo um dos seus livros preferidos e fiquei com vontade de ler. Curiosamente, saiu este ano que esse livro vai ganhar uma nova adaptação e como ele é pequeno, menos de 230 pgs, peguei para ler no primeiro semestre. Sim, vocês não leram errado. Eu estou enrolando essa leitura já tem muitos meses e vou explicar o que houve. Senhor das Moscas é um livro clássico americano recente, publicado em 1954 pós Segunda Guerra Mundial. O livro fala da queda de um avião numa ilha deserta. Dentro desse avião tem um grupo de crianças que agora estão sozinhas, sem a supervisão de um adulto.

E o livro começa assim mesmo, com Ralph, personagem principal, descobrindo o território da ilha e encontrando outros garotos. Esse é um fato importante, só tem meninos na ilha. Outro fato importante, não se sabe quantos meninos estavam no avião e para mim não ficou muito claro para onde estavam indo. Só se sabe que o avião caiu, vários garotos sobreviveram e agora eles precisam encontrar uma forma de escapar; meninos de até 16 anos. O livro então vai narrar a vida desses garotos enquanto esperam ajuda. Parece uma premissa relativamente simples, mas tem coisas que o autor quer dizer para a gente com esse enredo. Vale ressaltar também, que o livro é narrado em terceira pessoa acompanhando vários personagens.

A gente precisa de regras, e precisa obedecer as regras. Afinal, não somos selvagens. Somos ingleses; e os ingleses são os melhores do mundo em tudo. Por isso, a gente precisa fazer as coisas do jeito certo.


A primeira coisa que os meninos fazem na ilha e isso é curioso, é implantar regras. Mesmo crianças eles sabem que sem regras essa pequena sociedade que eles formam agora não daria certo. Eles elegem um líder, Ralph, para seguir e se organizam em quem vai fazer o quê, quem vai ser responsável por procurar comida, cuidar do fogo, do abrigo. Por mais que sejamos contra as regras ou o sistema, sem ele não existe vida organizada, o mínimo possível, para o ser humano sobreviver. Eles também sabem que um líder deve ser escolhido democraticamente. Isso é um dos pontos que o autor quer passar com o livro, que está arraigado em nós a vida em comunidade, as regras sociais e a escolha democrática. Os meninos se baseiam no que os adultos fazem, então eles reproduzem o que acreditam ser o correto para se organizar e sobreviver.

Só que o livro também vai falar de como os nossos instintos primitivos prevalecem em um lugar onde as regras são frágeis. Ralph vai perdendo a sua liderança quando o socorro não chega e as coisas dão errado, a ilha quase pega fogo por causa da fogueira, falta comida, o abrigo que eles construiram não é bom. Um dos garotos, Jack, acaba se voltando contra Ralph e as coisas ficam feias. Jack é o líder de um outro grupo de garotos que já estava na ilha antes da queda do avião, isso não é explicado no livro, como Jack e esses garotos foram parar lá. Jack perde a votação de líder e fica esperando o momento de assumir o controle da ilha. Quando eu falo que as coisas ficam feias entre os garotos é feia mesma, assassinato, perseguição, violência... Parece que não ter um adulto dizendo o que é certo e errado justifica todas as atitudes deles, mas a gente sabe que não.

O problema quando você é o chefe, é que precisa pensar, dizer a coisa certa. Aí a ocasião chega, e você precisa tomar uma decisão.


Falando assim até parece um livro bastante interessante e que te prende do começo ao fim, né? Comigo a leitura não rolou dessa forma. O livro é sim interessante, dá para você refletir e discutir vários temas que o autor aborda, tentar entender o que ele está querendo passar com essa estória. Para mim ficou esses dois pontos, a importância das regras para uma sociedade organizada e as ações primitivas que ocorrem quando elas, regras, não existem. Eu acho que o autor também chama a atenção para o fato de crianças não serem tão crianças em determinadas situações, deles terem discernimento quando fazem algo errado e de que precisam ser punidos de alguma forma, mesmo que seja só a consciência deles os atormentando.

Só que a diagramação do livro impossibilita uma leitura fluida, com frases não finalizadas e com um travessão ao invés de ponto final ou outra pontuação. Não sei se o autor escreveu dessa forma, mas não gostei. Também é difícil se apegar aos personagens, eles não possuem uma construção tão densa, não dá para analisar a personalidade deles e acaba que tudo fica no superficial. Fora as muitas descrições da ilha e situações que nem sempre eu conseguia visualizar. Então, não foi um livro fácil de ler, mas que eu insisti por ser um clássico. Acho que é importante insistir em livros assim, porque por mais difícil que tenha sido a leitura de Senhor das Moscas, o aprendizado depois, as reflexões que fiz, valeram a pena.

Senhor das Moscas
William Golding
Editora Alfaguara: Facebook/Instagram

Onde comprar (link comissionado):
Amazon 

Um comentário:

  1. Oi Denise, tudo bem?
    Tenho a mesma situação que você aqui. Encontrei esse livro no sebo um tempo atrás, não lembro que indicação (série ou filme) me fez comprá-lo, mas acabei deixando na estante sem ler. Ainda pretendo fazer isso, mas depois da sua resenha não animei muito não e vou deixar ele um pouco mais pra adiante.

    Até mais;
    |Mente Hipercriativa (Blog) | Mente Hipercriativa (Fanpage)|

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