Slider

Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (Crítica 1)

31.10.19

Exterminador do Futuro - Destino Sombrio || Estreia em 31 de outubro de 2019
Crítica: Karla Nayra


O novo filme da Fox Film chega às telonas hoje. Com direção de Tim Miller, o filme traz novamente a participação de James Cameron como roteirista e produtor. Cameron não participava dos filmes da franquia desde 1991, quando dirigiu o Exterminador do Futuro 2. Na produção atual, assim como todas as outras incluindo as séries de televisão, o filme acaba se tornando uma linha do tempo alternativa, mas com uma diferença: agora as heroínas são mulheres. O filme é permeado pela nostalgia e acaba trazendo em excesso o serviço aos fãs. É legal rever a Linda Hamilton na incrível interpretação de Sarah Connor e Arnold Schwarzenegger fazendo o papel do robô T-800, mas a história necessitava de mais roteiro e menos serviço aos fãs.

Isso faz com que o filme acabe repetindo alguns clichês que já conhecemos, além de temperar algumas cenas com discursos emocionais apelativos e totalmente desnecessários. Tudo que esperamos ver em um filme como esse é ação. E vemos! Muitas cenas de lutas de tirar o fôlego. Para quem gosta do gênero, mesmo apostando em receitas antigas, o filme consegue capturar a atenção do espectador nos momentos de grandes movimentações, explosões, efeitos especiais e tudo aquilo que esperamos ver em um filme como esse. Nesse sentido, posso dizer que o filme cumpre o que promete.


O raio politizador: a questão de gênero (SPOILERS!) 

Quando assistimos ao trailer, percebemos que o filme contará com um relevante elenco de mulheres. Legal, vamos comemorar? Ainda não. Apesar de fazer parecer que as mulheres estão liderando a narrativa, o roteiro sempre dá um jeito de colocar um homem para salvar o dia. Além disso, o papel da Mackenzie Davis (interpretando Grace) poderia ter sido melhor valorizado não fosse seu momento de fragilidade periódica. A pergunta que faço é, por que somente ela como ciborgue tem aquele tipo de fragilidade? Por que tem que ser ELA a frágil?

Outro ponto interessante de se observar é quando todos percebem que quem vai salvar o futuro é uma mulher. Nesse ponto o filme até ironiza a figura de Maria por ser usada para gerar o salvador da humanidade Jesus, comparando a heroína Dani Ramos (Natalia Reyes) à Maria. No caso dela não será seu útero que vai gerar o salvador, mas ela será a heroína. Acontece que quando se descobre que será ELA, rapidamente a comparam com um homem nos fazendo perceber que uma mulher não pode salvar o mundo como uma mulher. Enquanto o filme coloca essas mulheres em cena para cumprir uma cota feminista que não funciona de jeito nenhum, reforça alguns dos estereótipos mais combatidos pela luta feminista real, o de que as mulheres estão sempre em competição e brigando entre si. Sororidade passou bem longe aqui.

Além disso, há ainda a questão racial que é pior ainda. O filme mostra pouquíssimos personagens negros, que quando tem alguma participação em cena é para ajudar no desenvolvimento da história dos brancos e depois morrerem. As questões sociais aqui apresentadas são mínimas quando comparadas a um cenário muito maior envolvendo outros filmes e gêneros.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Theme Designed By Hello Manhattan

Your copyright

Seja Cult - Todos os direitos reservados.