Slider

Branca como a Neve

18.9.19

Branca como a Neve || Estreia em 19 de setembro de 2019
Crítica: Helen Nice

Prepare-se para uma releitura moderna, atual e sensual do clássico dos Irmãos Grimm. 

Uma versão rock'n'roll de Branca de Neve, em um mundo real, muito diferente daquela mulher submissa e servil que cozinha e limpa, totalmente alienada pelos anões. Aqui teremos uma personagem feminina que cresce com a adversidade e assume sua sensualidade sem se prender a qualquer conceito moralizador. Livre para vivenciar diferentes relacionamentos e explorar a vida com alegria e humor. Aquela garotinha que permeia o imaginário coletivo tem aqui sua história recontada como uma mulher moderna em uma comédia divertida e original com toques bem picantes. Deixe de lado qualquer expectativa e vá se divertir com Branca de Neve, a Rainha, maçãs vermelhas, floresta, animais... porém vistos sob uma ótica totalmente diferentes por Anne Fontaine e Pascal Bonitzer.

O filme é dividido em capítulos como num conto de fadas. No primeiro temos Claire (Lou de Laâge), uma bela jovem que trabalha no hotel de seu pai falecido. O local agora é administrado por sua madrasta que tem um ciúme indisfarçável pela enteada. O amante atual da madrasta se apaixonou por Claire para piorar a situação. A madrasta decide se livrar de Claire e arquiteta um plano para matá-la. No segundo capítulo temos Maud (Isabelle Huppert), a madrasta má. Logo no começo quando vemos maçãs vermelhas e um espelho já ligamos os fatos. Esse ponto de conexão como referência ao conto são divertidos. As cores são usadas muito bem para definir as personagens. Isabelle Huppert está muito bem no papel da vilã moderna, malvada, porém sedutora.


No terceiro capítulo - Blanche de Nieve - as histórias se conectam. Claire consegue escapar da armadilha de Maud, é salva por um homem misterioso e consegue abrigo na fazenda dele. Sem ter para onde ir, Claire decide ficar no vilarejo e atrai a atenção dos locais por sua beleza. Em pouco tempo a bela Claire, de pele branca como a neve, tem sete homens aos seus pés. É o começo de sua jornada de auto conhecimento e libertação tanto romântica como carnal. Cada um destes homens, à sua maneira, faz com que Claire descubra a vida com intensidade e erotismo. Claire tinha uma madrasta castradora e levava uma vida tradicional e após a morte do pai e o trauma causado pela tentativa de assassinato de Maud, ela muda seu ponto de vista e passa a viver plenamente.

Os "anões" aqui representados pelos homens são retratados através da construção psicológica de cada personagem e suas diferentes personalidades. Temos um violoncelista, um padre, um livreiro, um atleta, um veterinário. A natureza exuberante e os animais tem papel de destaque no desenvolvimento sensual da heroína. As cenas na casa do estranho homem foram feitas em Vercors, na França. e a fotografia é muito bela. Para Claire é um recomeço de vida, uma página em branco para escrever à sua maneira. Ela se emancipa e faz isso com seus parceiros. O filme fala sobre relação com os homens e a fragilidade, a velhice, o tempo, o desejo. Branca como a Neve pode acontecer atualmente e é mágico!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Theme Designed By Hello Manhattan

Your copyright

Seja Cult - Todos os direitos reservados.