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Era uma vez em Hollywood

16.8.19

Era uma vez em Hollywood  || Estreou em 15 de agosto de 2019
Crítica: Karla Nayra


A história acompanha três núcleos distintos: uma atriz em ascensão; um ator decadente e seu dublê que fazem de tudo para alcançar fama e sucesso em Hollywood, em um período em que a indústria passava por uma transição importante. A Nova Hollywood estava se estabelecendo e, com isso, os padrões narrativos que funcionavam na era de ouro do cinema estavam em declínio. A indústria sofreu uma forte crise e sentiu os impactos das intensas transformações (econômica, tecnológica, social e política) que aconteciam em todos os Estados Unidos. No cinema, isso certamente afetou a carreira de muitas personalidades que tiveram de se reinventar para sem manterem iluminados pelos holofotes da indústria do cinema. Dado o contexto, vamos à resenha.

Famoso por escrever e dirigir seus filmes, o diretor Quentin Tarantino aposta em uma abordagem contemplativa e nostálgica, com propósito de prestar uma homenagem à Hollywood de 1969. Para isso, o diretor apresenta uma abordagem leve e devidamente respeitosa acerca da atriz Sharon Tate (Margot Robbie) que, na vida real, foi brutalmente assassinada quando estava grávida de 9 meses. Esse fato mudou dramaticamente a forma com a qual as estrelas se relacionavam com a fama e com o público. Era uma vez em Hollywood está repleto de detalhes e é impossível notar todos eles assistindo apenas uma vez. O diretor trabalha a ambientação de maneira cuidadosa e nos transporta para a Los Angeles da década de 1960. Esse nível de detalhe vai desde o sotaque dos personagens até o noticiário de rádio sobre os conflitos no Vietnã. Nas passagens em que acompanhamos o dublê Cliff Booth (Brad Pitt) dirigindo pelas ruas de LA nos sentimos literalmente no banco do carona.


Esse é um filme lento, porém possui bom ritmo e assistimos até o final sem pensar que a película está demorando acabar. A habilidade de dirigir atores e o elenco que é simplesmente sensacional nos presenteia com atuações proeminentes de TODOS os personagens. Mesmo aqueles com menos tempo em cena conseguem nos sentimentos e mensagens importantes por meio da atuação. Destaque para a atuação de Leonardo DiCaprio que na pele de Rick Dalton nos entrega de forma visceral todas as angústias e questões de uma estrela em decadência que se cobra o tempo todo. Tarantino deixa claro que tal cobrança não se dá pela nobreza de ser um bom ator, mas pela vaidade de manter no estrelato. Será que rola indicação para o Oscar como melhor ator? Veremos!

Como antagonista, o filme apresenta uma pequena parcela radical do movimento hippie do qual Charles Manson (assassino de Tate) fazia parte. No ato final, o Tarantino que conhecemos aparece e nos entrega um desfecho surpreendente e recompensador. Era uma vez em Hollywood vale cada centavo que o ingresso custa. Trata-se de uma outra perspectiva do diretor que conseguiu unir um elenco fabuloso para expressar esse seu outro lado.

MENSAGEM DE UMA FEMINISTA

Apesar do seu brilhantismo, Tarantino tem uma obsessão por pés. Ele acaba usando isso como instrumento de sexualização e coisificação da figura da mulher. Isso incomoda muito! Outro ponto é que na apresentação dos personagens homens há atuações proeminentes, mas quando Tarantino exibe a personagem Sharon Tate essa apresentação é feita por um homem. O pior de tudo é que o personagem só aparece para apresenta-la e depois some. Sério isso? Deixa a mulher falar por ela, deixa ela atuar na sua apresentação assim como os homens. Recado dado.

Um comentário:

  1. adoro os filmes do Tarantino e com esses dois ídolos da minha adolescencia mais que quero ver esse filme!

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