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Entre Tempos

22.8.19

Entre Tempos || Estreia em 22 de agosto de 2019
Crítica: Lucas Pereira


Explorando as nuances das memórias durante a vida de uma pessoa, Entre Tempos conta uma história de romance de um jeito completamente diferente. Enquanto os filmes românticos normalmente mostram o desenrolar da história, Entre Tempos mostra este desenrolar por memórias, usando como elas mudam dependendo da pessoa que às relembra e, principalmente, o estado emocional dela no momento. O filme conta a história de Lui (Luca Marinelli) e Lei (Linda Caridi), duas pessoas completamente diferentes que acabam por acaso se encontrando e apaixonando. Lui é uma pessoa depressiva, que vive no seu passado problemático e têm problemas em ver um futuro positivo. Lei, porém, é completamente o contrário; ela não consegue lembrar dos problemas do seu passado, e não fica assustada com o futuro e todas as suas possibilidades.

O foco da história é essa relação cheia de conflitos. Lui está constantemente pensando na sua infância, onde seus pais brigavam constantemente e ele acabou indo para uma instituição para crianças problemáticas. Isso acaba fazendo com que ele veja a vida de um lado negativo, sempre esperando pela próxima tragédia, não se deixando ter algo bom. Lei, enquanto isso, é o contrário, achando que cada passo é uma coisa boa e nova, e apesar de essa visão positiva da vida seja boa inicialmente, cada vez mais Lei acaba sendo afetada pela “filosofia” de vida de Lui. Tudo isso é sempre mostrado por memórias, e é ai que Entre Tempos brilha.


A primeira cena do filme é o primeiro encontro dos dois, onde o casal está recontando como que foi este momento especial. A cena fica constantemente mudando, uma hora mostrando uma festa animada e colorida onde Lui e Lei estão vestidos muito bem e a na próxima uma festa escura, estranha, onde ele está vestido mal e ela é a única coisa positiva na festa. Essa mudança deixa o tom da história bem claro. Esse tipo de temática aparece mais vezes, onde cenas estão de um jeito e depois do outro, mostrando como a mentalidade dos namorados afeta as memórias deles. Em certos momentos nós vemos as memórias deles sendo afetadas em tempo real, onde nós vemos o que aconteceu de verdade e depois vemos como que os dois relembram dos eventos; criando uma história onde nós sabemos que certas coisas são falsas, mas a mente depressiva de Lui e a personalidade de Lei que acaba sendo fortemente afetada pelo relacionamento acabam mudando os fatos para justificar o jeito que eles se sentem.

A história de romance é, por si, interessante, mas com este método diferente de contar a história, Entre Tempos acaba sendo um ótimo filme para se perder. Ele é um pouco trágico e negativo, mas isso acaba criando um romance a lá Romeu e Julieta, que demonstra o meio que a mente humana justifica os seus próprios problemas; em momentos ruins, o passado é ruim e cheio de tristeza, mas nos bons nós lembramos dos momentos bons e felizes.

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