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Entardecer

31.7.19

Entardecer || Disponível nos serviços de streaming
Crítica: Karla Nayra


A obra do diretor Nemes László (o mesmo que fez Filho de Saul) conta a história da jovem Irisz Leiter (Juli Jakab), que chega à capital húngara com grandes esperanças de trabalhar como chapeleira na lendária loja de chapéus que pertencia aos seus pais falecidos. Ela é, no entanto, mandada embora pelo novo dono, Oszkár Brill (Vlad Ivanov), mas a jovem se recusa a ir e segue em busca de sua verdadeira intenção, recuperar um elo familiar. Sua busca a leva pelas ruas escuras de Budapeste em um contexto de iminência da guerra. O filme remonta o ano de 1910 na Europa no qual o antigo Império Austro-Úngaro reinava sobre muitas nações.

A figura inquietante de uma mulher que, apesar das dificuldades impostas pelo seu tempo, decide enfrentar todo tipo de adversidade para encontrar aquilo que busca é representada de forma sutil, mas ao mesmo tempo incômoda. Nemes László opta por captar as cenas com a protagonista de costas em 80% das cenas. Há muitas sequencias em que a fotografia é escura. Há também um uso recorrente de planos fechados. O que chama a atenção no aspecto estético é o uso excessivo desses recursos que costumam transmitir mensagens pontuais em uma obra cinematográfica. Nesse caso, o diretor usou o recurso como a linguagem narrativa total do filme. Não me agradou, mas é uma escolha.


Os diálogos poderiam ter sido melhor explorados, pois eles possuem uma função narrativa que, muitas vezes, anda por uma corda bamba. Às vezes o uso excessivo torna o filme óbvio e bobo aos olhos do público, mas nesse caso foi diferente. Nemes László parece não querer usar o recurso. Os diálogos são breves e não exercem a função narrativa de dar suporte a ideia do filme. Isso combinado a escolha estética de muitos planos fechados na personagem principal não me pareceu harmônico. Trata-se de um filme histórico que deve ser visto com a compreensão de quem assiste a uma história de ficção.

Afinal, não é possível buscar a verdade material a partir da narrativa de um filme ficcional, mas observar uma representação do início do século XX e dos conflitos que aconteciam em um local específico na Europa. Sempre recomendo aos que querem ver a história material representada tal qual realmente aconteceu que vá aos documentos históricos. Um filme é, acima de tudo, uma obra de arte e seu papel é fruir.

Um comentário:

  1. adoro filmes históricos como esse e ainda nao conhecia, com certeza fiquei curiosa pra assistir

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