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Blitz

27.6.19

Blitz || Estreia em 27 de junho de 2019
Crítica: Lucas Pereira


O cinema brasileiro sempre foi um pouco mais teatral do que os filmes internacionais. Talvez seja por que a maioria dos atores vem do teatro; talvez seja por eles virem das novelas, que também mantém esse estilo; mas o teatro brasileiro, por mais que não esteja em alta atualmente, ainda afeta muito a arte nacional. E Blitz, de René Tada Brasil, é um filme que muito fortemente parece uma peça de teatro, com as suas cenas e o ritmo incomuns nos cinemas que acabam criando uma experiência bem diferente de outros filmes. Se isso é uma boa decisão ou não, vai a gosto - existe uma estranheza criada pelo estilo, mas ao mesmo tempo isso destaca Blitz como uma produção mesclada.

O filme conta a história de Rosinha (Rui Ricardo Dias), um policial que estava presente em uma blitz que acabou com o assassinato de uma criança de doze anos. Rosinha então acaba sendo marcado como o assassino do jovem, sendo isolado pelo seus vizinhos e atacado pela mídia. Quase todo o enredo se passa dentro da casa do policial, que mora com Heloísa (Georgina Castro), onde os dois estão tendo uma crise tanto pessoal quanto conjugal, tendo que lidar com os efeitos do assassinato. Em certos momentos o filme mostra flashbacks para contextualizar a relação dos dois, mas a maior parte da história é contada dentro da casa.


Blitz têm pontos altos e baixos. Rui Ricardo e Georgina conseguem sem problemas trazer os personagens à vida, sendo as peças fundamentais nesta trama; personagens que, durante a história, acabam mudando constantemente sem uma linha clara. Rosinha e Heloísa estão sempre se tratando de modo diferentes, e isso acaba criando um problema para tentar entender a mentalidade deles. Inicialmente Heloísa está atacando o marido, culpando-o pelo assassinato do jovem, mas logo em seguida ela o trata como um homem quebrado que precisa de ajuda. Os dois personagens estão em luta com sigo mesmos de uma maneira confusa, sem ter as conexões necessárias para fazer as mudanças funcionarem. Ao mesmo tempo, Blitz também têm um tema um pouco polêmico que é tratado de uma maneira extremamente fria.

O filme têm como parte principal uma blitz que acaba em morte - algo relativamente comum tanto no Brasil como em outros países -, mas em nenhum momento ele lida com a realidade desse acontecimento. Ele nem ao menos fala o nome da criança assassinada, focando apenas nos efeitos no policial, criando uma distância com a vítima e ao mesmo tempo vitimizando Rosinha, algo muito difícil de se engolir nos tempos atuais. Então a falta de direção nos personagens e a falta de tato com os temas acabam fazendo Blitz uma experiência confusa parecendo com que o enredo não tenha um ponto final, sendo mais uma experiência teatral nas telas do cinema dramática do que realmente uma história construída com temas e críticas, tão comuns tanto no cinema quanto no teatro brasileiro.

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