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Os Papéis de Aspern

22.5.19

Os Papéis de Aspern || Estreia em 23 de maio de 2019
Crítica: Lucas Pereira


Baseado no livro de Henry James de 1888, Os Papéis de Aspern, o primeiro longa do diretor Julien Landais é um filme que vai facilmente lembrar quem assisti-lo do longa de Sherlock Holmes com Robert Downey Jr. Os dois passam no final do século 19, os protagonistas dessa história compartilham uma personalidade excêntrica, além de serem estabelecidos com uma série de qualidades, e até mesmo existem mistérios para serem resolvidos nos dois filmes.

Mas enquanto Sherlock Holmes (2008) é, do começo ao fim, um filme focado em sua história com um estilo parte ação, parte cômico, Os Papéis de Aspern acaba tentando ser um “Sherlock Holmes Cult”, com temas que poderiam ser considerados mais inteligentes e principalmente com um final onde existem certas cenas de sonhos para serem interpretadas. Porém o que realmente acaba acontecendo é que o filme tem um estilo jogado para todo lado, ele acaba tentando ser mais inteligente do que realmente é, e as cenas de sonho parecem não só jogadas mas não combinando com o resto do tom do longa.


Os Papéis de Aspern conta a história de Morton Vint (Jonathan Rhys Meyers), um crítico de arte que age como uma mistura de Sherlock Holmes e Dr. Frankenstein da série Penny Dreadful, parecendo mais uma caricatura do que uma pessoa de verdade. Morton está a procura de um grupo de cartas do famoso poeta Aspern, cartas que até onde se sabe são possuídas pela amante do artista Juliana Bordereau (Vanessa Redgrave). O crítico, para se aproximar de Juliana, acaba indo para a mansão dela, mentindo sobre quem é e se oferecendo como um poeta e jardineiro à procura de um jardim para cuidar e se inspirar. Em um início que, por alguma razão, não está em ordem cronológica também é apresentada Miss Tina (Joely Richardson), a sobrinha e ajudante de Juliana, uma das peças fundamentais nas tentativas de Morton de conseguir possuir as tais cartas.

Então o filme foca nestes três personagens: um crítico obcecado, uma idosa que vive presa ao seu passado, e a sobrinha que está presa à tia e acredita que esse é o destino de sua vida. É uma dinâmica interessante, e os melhores momentos do longa são nesta dinâmica; mas em uma história que foca tanto em seus personagens, Morton e Juliana acabam sendo caricaturas demais, sendo difícil de gostar ou até mesmo acreditar neles como pessoas reais. Pior ainda, o filme nem se resolve de maneira satisfatória.


Sendo um filme de suspense, a parte que deveria ser impactante é a revelação do mistério; mas não só os papéis em si são um pouco clichês com revelações pouco impactantes, mas a sequência final inteira parece rápida demais e um tanto ridícula, principalmente em uma certa cena onde Morton Vint, o crítico literário, inesperadamente e sem relação nenhuma com o tom do filme se torna um “badass” em completo estilo Sherlock Holmes de Robert Downey Jr.

Com uma história problemática do começo ao fim, Os Papéis de Aspern sofre em tentar ser inteligente demais com um roteiro que realmente não representa a intelectualidade real que se queria passar. A atuação de Morton Vint é tão exagerada, que é difícil gostar de um protagonista tão ridículo, em um filme que foca principalmente em seus personagens. Em Papéis de Aspern falta criatividade e realidade, criando um longa que em alguns momentos é entediante e não satisfaz em nenhum ponto.

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