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Mademoiselle Paradis

1.5.19

Mademoiselle Paradiss || Estreia em 9 de maio de 2019


Baseado na história real de Maria Theresia von Paradis, pianista, compositora e cantora austríaca que aos 5 anos perdeu a visão, “Mademoiselle Paradis”, com produção majoritariamente feminina, mostra o período no qual Paradis ficou sob os cuidados de Franz Mesmer, fundador do chamado magnetismo animal que dizia que todos os seres vivos possuíam uma força natural invisível que poderia ter efeitos físicos, inclusive de cura. A partir de um tratamento desenvolvido dessa teoria, ele buscou curar a cegueira de Paradis ao longo de um ano, entre 1776 e 1777.

O filme é dirigido pela austríaca Barbara Albert que também é creditada como colaboradora do roteiro ao lado de Kathrin Resetarits. Sem dúvidas, o aspecto mais marcante do filme é a atuação da romena Maria Dragus, que interpreta Maria Theresia. Conseguindo equilibrar de maneira excelente a vulnerabilidade e a força interna de Theresia, Maria Dragus entrega uma atuação cheia de nuances e com muita atenção aos aspectos físicos da personagem. Quando o tratamento de Franz Mesmer parece começar a dar resultados, Dragus nos mostra uma Theresia que até então o filme não mostrou: alguém que praticamente nasce novamente ao redescobrir o mundo a sua volta com seu toque e visão.


O roteiro do filme também se mostra equilibrado e atento às contradições que cercavam a personagem: Maria Rosalia Paradis (Katja Kolm), mãe de Theresia, e Joseph Anton Paradis (Lukas Miko), pai de Theresia, apesar de demonstrarem um certo orgulho dos talentos da filha no piano, tratam a condição da filha como algum tipo de castigo para eles causado pela própria filha, mas exibem os talentos no piano dela como se fosse uma conquista deles. Além disso, o roteiro não busca respostas únicas para a questão da cegueira de Theresia: talvez seja um problema clínico e talvez uma consequência física do ambiente claustrofóbico no qual Theresia vivia com seus pais.

A direção do filme trabalha de maneira harmoniosa com a direção de fotografia, a cargo de Christine A. Maier, com o uso de jogos de luz e contrastes que buscam dar forma ao conflito de Theresia. Também, valorizam a atuação de Maria Dragus ao focar na expressão facial da atriz, principalmente seus olhos, e suas mãos enquanto tocam piano ou redescobrem o mundo. Em conjunto com o departamento de produção de design, feita Katharina Wöppermann, e os figurinos, arranjados por Veronika Albert, demonstram não só um cuidadoso trabalho de pesquisa feito por toda a produção como também uma bem sucedida tentativa de contar uma história desconhecida através de uma narrativa cheia de simbolismos e detalhes.

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