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Compra-me um Revólver

27.5.19

Compra-me um Revólver || Estreia em 30 de maio de 2019


Imaginar uma distopia não é exatamente uma novidade no cinema; de Mad Max a Blade Runner, aos incontáveis filmes que giram em torno de um apocalipse zumbi, o que não falta são filmes que tentam dar forma a um futuro pior do que o nosso presente. Dirigido e escrito por Julio Hernández Cordón, "Compra-me um Revólver" tenta imaginar um México sem mulheres e controlado pelos cartéis. A rotina de Rogelio é basicamente acordar, cuidar de um campo de baseball onde ocorre os jogos dos traficantes, se manter a disposição para o que eles quiserem, se drogar e tentar esconder sua filha, a pequena Huck que usa uma máscara para esconder que é uma menina.

Ao seu redor tudo remete à desesperança: se alguém tenta fugir é assassinado pelos traficantes, a água também é controlada por eles, eles vendem drogas para Rogelio, mas quando o visitam para jogar no campo usam o que vendem. Não há nenhuma indicação em cena de alguma mínima tentativa de revolta vinda por parte dos adultos. Todo o espírito de indicação fica por conta das crianças: Huck, Rafa, Angel e Tom.


O filme se mostra mais inquietante e assustador do que muitas outras distopias cinematográficas na medida em que ele sugere muitas coisas mas não as explicita - e imaginar torna-se um exercício constante e assustador durante o filme. Não fica claro o que aconteceu com as mulheres, não fica claro o que acontecerá com Huck caso ela seja capturada (mas o pai mantém uma corrente fortemente amarrada em seu pé), não fica claro o que fariam com Rogelio caso descobrissem que ele esconde uma filha menina. Quando os traficantes chegam no campo para um jogo de baseball, todos estão usando vestidos por cima de suas roupas e um deles diz a Rogelio que encontraram sete mulheres que se escondiam em um tanque d'água numa cidade vizinha. Não fica claro o que aconteceu com essas mulheres, mas imaginar todas as (terríveis) possibilidades é o que faz com que o filme seja tão impactante.

Julio Hernández Cordón tem uma direção e um roteiro muito firmes e seguros de si. Ocasionalmente ele cai para uma narrativa que muito se assemelha à uma fábula, ou à literatura fantástica. Esses recursos reforçam a noção de território estranho e incertezas que o filme traz e, ao mesmo tempo, reforçam a intensidade do filme ao revelarem diversas camadas narrativas por cima do que, inicialmente, poderia ser considerado como apenas mais uma distopia. São essas escolhas narrativas e de direção, e as atuações que elevam o filme e o colocam em um lugar de destaque dentro do gênero das distopias.

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