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Cafarnaum

1.5.19

Cafarnaum || Disponível nas plataformas digitais
Crítica: Karla Nayra


Sabe aquela sensação de que estamos vivendo dentro de uma bolha? Prepare-se para sair dela. Essa é a proposta central do longa Cafarnaum, escrito e dirigido pela libanesa Nadine Labaki. A obra nos transporta para uma realidade que, sob a perspectiva da classe média e das classes mais abastadas, é invisível. A temática poderia facilmente cair em um clichê social, mas Nadine explora uma camada após a outra do debate sobre pobreza e desigualdade sem apontar culpados óbvios ou simplificar a discussão sobre o tema.

O filme não conta com um elenco de atores profissionais. A diretora busca na realidade matéria prima para o seu trabalho. O menino Zain (Zain Al Rafeea – refugiado sírio) que vive no subúrbio de Beirute em situação de extrema pobreza, deseja processar seus pais para que eles não tenham outros filhos. A trama ocorre em um tribunal judiciário e conforme a narrativa se desenvolve as imagens de flashbacks dão consistência história narrada. Destaque para a atuação de Zain Al Rafeea. Ele carrega no olhar preocupações e responsabilidades que lhes são atribuídas precocemente.


Essa desproporcionalidade em relação as questões de um garoto de quase 12 anos se fazem evidentes sem que seja necessário usar recursos como o discurso ufanista sobre pobreza que já conhecemos. Em sua interpretação, Zain nos entrega um olhar vazio e sem esperança. Seu objetivo de vida está logo adiante: vencer a fome que está por vir. Cafarnaum é uma obra complexa e vai além do debate corriqueiro sobre desigualdade social. A diretora questiona a opressão promovida pela estrutura capitalista e desmonta qualquer argumento ou discurso simplista como, por exemplo, meritocracia.

São tantos elementos de análise que o filme renderia facilmente um debate em nível acadêmico tendo como perspectiva de análise a moral e a ética. Todavia, não deixa de tratar a questão social no Líbano como um assunto básico, comum a todos e de alcance global. Sim, a obra é um soco no estômago. O filme, aclamado pela crítica, conquistou o prêmio do júri em Cannes e muitos outros em festivais de filmes pelo mundo.

POR QUE CAFARNAUM?

O nome do filme por si só já nos propõe um certo incômodo. A tradução mais aproximada seria “Caos”, mas a diretora preferiu provocar nossa curiosidade sobre o que seria Cafarnaum e assim, não adere à tradução proposta. Cafarnaum é uma cidade mencionada na bíblia que estava situada próxima ao mar da Galileia e que, geograficamente, ficaria próxima ao Líbano, local onde o filme foi gravado. A história cristã relata que Cafarnaum foi onde Jesus firmou residência após sair de Nazaré, era a nova cidade de Cristo. Porém, de um tempo a cidade teria sido amaldiçoada por Jesus. Você pode conferir a curiosidade lendo o evangelho de Matheus.

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