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Vidas Duplas

15.4.19

Vidas Duplas || Estreia em 18 de abril de 2019


Após ganhar o prêmio de Melhor Diretor no festival de Cannes em 2016 com “Personal Shopper”, Olivier Assayas leva aos cinemas seu mais novo filme “Vidas Duplas”, desta vez voltando a usar protagonistas franceses. No filme, acompanhamos as vidas de diversos personagens envolvidos com o mercado editorial francês e suas inúmeras tentativas de lidar com suas crises emocionais e em seus relacionamentos. Afirmando a duplicidade indicada pelo seu título, o tema central do filme é dividido em duas questões presentes em todas as cenas: a crise do mercado editorial e suas vidas pessoais.

Durante um almoço, Alain Danielson (Guillaume Canet), editor, e seu amigo e escritor Léonard Spiegel (Vincent Macaigne), que acaba de escrever seu segundo livro, conversam sobre se as redes sociais influenciam de maneira negativa ou não o hábito de leitura das pessoas. Enquanto Alain parece enxergar algo minimamente positivo no engajamento das pessoas pela internet, já que elas ao menos estão lendo alguma coisa, Léonard vê isso como um sinal de que as pessoas não leem mais como liam antes. Selena (Juliette Binoche), atriz casada com Alain, se vê diante de uma crise em sua carreira: continuar interpretando a mesma personagem que já interpreta há anos em um seriado ou buscar outros projetos? Valérie (Nora Hamzawi), assessora de um político, parece não ter muito interesse pelas crises de identidade de seu marido Léonard em meio a conturbada eleição que ocorre como plano de fundo do filme.


Se no campo profissional muito do que os personagens discutem (crise editorial, mídias digitais, e-books) parece estar fora do controle deles - o que faz com que seus diálogos sejam mais diagnósticos, conjecturas e impressões deles diante desse processo ininterrupto de mudança do mercado editorial e dos leitores -, na vida amorosa desses personagens o descontrole parece ainda maior: em meio a esses debates constantes sobre arte e literatura esses personagens se veem em inúmeras relações extraconjugais que criam uma teia que os une na mesma medida que os separa.

Entretanto, o roteiro é mais bem sucedido quando coloca os personagens em debates sociais e políticos do que quando cria essa teia de traições e romances. Com um tom que varia entre o cômico e o dramático, é através dessas conversas que o roteiro faz quase que uma meta-crítica do público cult/intelectual que consome livros e cinema, grupo este que o próprio diretor e o público do filme fazem parte. Até mesmo por conta da edição, que faz corte abruptos constantemente, o resto do que o filme apresenta parece mais uma série de imagens de pessoas que usam o sexo e relacionamentos como uma maneira de escapar crises de identidade que eles não querem resolver. Em termos de narrativa isso não seria necessariamente um problema no filme mas a edição e um aparente desinteresse do roteiro em desenvolver essa questão faz com que essas cenas fiquem deslocadas do resto do filme.

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