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Escolas da Espanha estão banindo livros infantis sexistas de suas bibliotecas

24.4.19

Essa matéria apareceu para mim já tem uns dias e achei interessante postar aqui a tradução para uma reflexão. É certo ou não banir livros clássicos por serem estereotipados e sexistas? Isso está acontecendo na Espanha, onde clássicos infantis como Chapeuzinho Vermelho estão sendo retirados das bibliotecas infantis.

Acompanhem a matéria do  The Guardian traduzida pelo site.

Crédito: Alamy 

Várias escolas em Barcelona estão considerando eliminar de suas bibliotecas livros infantis estereotipados e sexistas após uma delas remover cerca de 200 títulos, incluindo Chapeuzinho Vermelho e a lenda de São Jorge. A biblioteca infantil da escola Tàber, com cerca de 600 livros infantis, foi revisada pela Associació Espai i Lleure como parte de um projeto que visa destacar conteúdos sexistas ocultos. O grupo revisou os personagens, independentemente de falarem ou não, e o conteúdo de cada livro e constatou que 30% deles eram altamente sexistas, tinham estereótipos fortes e, em sua opinião, não tinham valor pedagógico. Esses livros incluíam várias versões das histórias de Chapeuzinho Vermelho e São Jorge, uma leitura popular na celebração da Catalunha do Dia de São Jorge, em 23 de abril. Os livros foram removidos e as versões menos estereotipadas devolvidas as estantes.

Segundo a Associació Espai i Lleure, se as crianças veem representações “fortemente estereotipadas” de relacionamentos e comportamentos no que leem, elas considerarão isso normal. Anna Tutzó, uma mãe que está na comissão que revisou os livros, disse ao El País que “a sociedade está mudando e está mais consciente da questão de gênero, mas isso não está sendo refletido nas histórias”. A masculinidade está associada à competitividade e à coragem, e “em situações violentas, mesmo sendo apenas brincadeiras pequenas, é o menino que age contra a menina, que envia uma mensagem sobre quem pode ser violento e contra quem”.

O El País informou que outras escolas em Barcelona estão reconsiderando o conteúdo de suas bibliotecas, com a escola Montseny, e planejando remover aqueles que acreditam ser sexistas. Já a a associação de pais da escola de Fort Pienc está estabelecendo uma comissão de igualdade de gênero para revisar os livros. “Os tipos de livros que as crianças leem é muito importante, porque os livros tradicionais reproduzem os estereótipos de gênero e é bom ter livros que quebrem isso” , disse Estel Clusella ao El País, diretor da associação de pais de Fort Pienc. “Aos cinco anos as crianças já estabeleceram papéis de gênero, sabem o que é ser menino ou menina e o que isso significa. Por isso, é fundamental trabalhar com uma perspectiva de gênero desde a infância.

A escola Tàber agora vai revisar os livros em sua biblioteca primária, mas terá uma abordagem diferente da que tinha com sua biblioteca infantil. As crianças mais velhas, diz, são mais capazes de analisar criticamente os textos e refletir sobre os estereótipos e o sexismo. “Na primeira infância as crianças absorvem tudo ao seu redor, o que permite que os estereótipos e sexismo sejam normalizados”, disse Tutzo ao jornal El País. “Os alunos da escola primária (com idades entre 6 e 12 anos), no entanto, têm uma maior capacidade de pensar criticamente e os livros podem ser uma oportunidade para aprender, para que eles próprios reconheçam os elementos sexistas.

No ano passado, pesquisas da Fundação Observer and Nielsen descobriram que os personagens masculinos tinham duas vezes mais chances de ter um papel de liderança nos livros infantis, muitas vezes em papéis masculinos estereotipados, e que os personagens que falavam eram 50% mais propensos a serem do sexo masculino. “Os livros passam uma mensagem sobre como a sociedade vê você” , disse Lauren Child na época. “Se os meninos são os protagonistas nos livros - tanto bons quanto maus protagonistas - e as meninas são sempre as secundárias, isso confirma como o mundo é e como deveria ser. É muito difícil se sentir igual depois disso.

A campanha Let Books Be Books, por sua vez, conseguiu mudar os títulos dos livros no Reino Unido. Eles convenceram 11 editoras infantis a remover as palavras "para meninos" e "para meninas" das capas dos livros desde 2014.

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