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eleanor & park || rainbow rowell

3.4.19


A leitura de Eleanor & Park foi outras das aleatórias que fiz em fevereiro. Livros que fui lá e apenas peguei na estante para ler. Escuto coisas boas sobre esse livro desde quando foi lançado, em 2014, e por isso tinha expectativas muito altas em relação a ele. Só que por esperar demais, o livro foi apenas bom. Vou explicar melhor mais na frente. Esse livro é um romance juvenil que se passa nos fim dos anos 1980. Então para muitos os detalhes aqui serão desconhecidos, referências nerd antigas por exemplo. Eu como cresci uma década depois, peguei tudo, até as fitas cassetes com pilhas. Eleanor é a garota nova na escola que conhece Park logo nos primeiros dias. Eles meio que se desentendem por causa do banco vago ao lado dele.

Por ser nova, gorda e se vestir de um jeito peculiar, Eleanor vira o alvo principal dos bullyings no colégio. Park também era por ser asiático, mas conseguiu superar isso e agora passa até bem pelos valentões. Todos os dias eles vão sentar um ao lado do outro e vão começar uma amizade estranha, não verbal no inicio através de trocas de hqs e depois de músicas. Essa amizade vai evoluir para algo mais, só que Eleanor vive na corda bamba em casa. Ela é a filha mais velha de cinco irmãos que vivem em uma situação complicada. Para completar, ela sofre abusos por parte do padrasto. Não será um relacionamento fácil e nem comum, muitos vão questionar a união dos dois, mas quando a gente gosta a gente gosta e faz de tudo para ficar junto. Certo?

Segurar a mão de Eleanor era como segurar uma borboleta. Ou um coração a bater. Como segurar algo completo, e completamente vivo.


O livro é narrado em terceira pessoa alternando os capítulos entre Eleanor e Park. Ler os capítulos da Eleanor foi muito mais difícil e dramático por causa do que ela passa em casa. Cinco irmãos que moram num único quarto; a mãe que se desdobra para colocar comida dentro de casa e por isso passar fome às vezes acontece; não ter o que vestir e usar roupas rasgadas ou que não combinam - e por isso virar chacota na escola -, e sofrer o medo constante de um homem que deveria ser uma figura paterna, mas que te olha com desejo. A vida de Eleanor é triste, mas nem por isso ela é menos guerreira. Ela enfrenta o que passa na escola de frente e tenta ao máximo esconder das pessoas o que sofre na sua vida particular.

Só que Park vai derrubar essas barreiras. Ela se apaixona por ele e não sabe bem como lidar com isso, já que sempre evitou esse sentimento por causa das consequências, das ameaças que sofre do padrasto. Park tem uma vida mais fácil, até certo ponto. Sendo asiático ele entende um pouco o que Eleanor passa, ser considerado alvo por ser diferente. Na verdade ele é mestiço de coreana com americano, então não sabe bem como se definir e se mostrar para o mundo. Ainda tem a questão de sua aparência afeminada, isso nas palavras do próprio Park. Isso acaba se refletindo na relação que tem com o pai, que exige que ele seja de uma forma que o Park não aceita bem. Vai rolar uma crise de identidade aqui.

Nada era vulgar. Não com Park.
Nada era vergonhoso.
Porque Park era o Sol, e essa era a única explicação que Eleanor poderia dar.


Esse livro conversa muito com os jovens porque vai tratar de todas as questões pertinentes a essa idade: sexualidade, diversidade, amadurecimento, identidade. Então é um livro que conversa com algo que eu já passei a muito tempo e que nem sempre a narrativa consegue me tocar. Foi o que aconteceu com esse livro. Embora eu tenha gostado dos personagens e da proposta, não consegui me empolgar muito com a leitura e nem me colocar no lugar dos protagonistas. A parte da Eleanor me deixou muito triste e foi a que eu mais gostei pela realidade da situação, não só o que ela passa em casa como na escola. Quem nunca sofreu bullying? Ou se sentiu mal por ter algo de diferente em si? É basicamente o que ela passa o livro inteiro. A casca dela é grossa e isso se reflete na falta de uma perspectiva positiva, de pensar que vai dar certo  no final. Ela é a desacreditada por tudo o que sofre.

O romance entre os dois é muito fofo, permeado pela cultura nerd, musical e antiga. A escrita da Rainbow já era conhecida por mim e não tive dificuldades em relação a ela, que flui bem. Foi uma boa leitura e fica a recomendação, só não consegui me envolver mais porque é um livro bastante direcionado aos jovens. Sobre o final, que muita gente não curtiu, eu achei ok. Não vi problemas em ela deixar aberto, mas eu sempre gosto dos livros redondos. Aqui deixa margem a interpretação, não sabemos se depois de tudo eles ficam realmente juntos ou não. Na minha cabeça sim, porque gosto de finais felizes, mas cabe um final realista com cada um seguindo seu caminho. Fica a critério de quem lê.

- Só não posso acreditar que a vida nos daria um ao outro para tirar logo em seguida.
- Eu posso acreditar. A vida é uma droga.

Eleanor & Park
Rainbow Rowell
Novo Século Editora: Facebook/Instagram

Onde comprar (link comissionado):
Amazon

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