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Um Amor Inesperado

12.3.19

Um Amor Inesperado || Estreia em 14 de março de 2019


De forma muito resumida, “Um Amor Inesperado” conta a história de Marcos (Ricardo Darín) e Ana (Mercedes Morán) cujo casamento entra em crise quando seu único filho vai estudar na Espanha. Juan Vera estreia como diretor, e no roteiro com Daniel Cúparo, deixa os atores livres em cena e, apesar de se tratar na superfície de uma comédia romântica sem muitas surpresas ou novidades para o público, consegue, a despeito de muitos clichês, desenvolver um filme que também trata de questões como a própria crise matrimonial, crises existenciais, fidelidade, a sensação de abandono de quando o filho sai de casa.

De início quem sente mais a ausência do filho é Ana, e essa nova rotina apenas a dois age como um estopim para que as pequenas coisas que já a incomodavam em Marcos sejam maximizadas; ele está sempre atrasado, sempre tem uma resposta sarcástica em sua manga mesmo que a conversa tenha um tom mais sério. Durante uma madrugada na que talvez seja a cena mais bem escrita do filme Ana e Marcos trocam declarações mas falta alguma coisa. A separação surge como a única solução possível e cada um passa a viver desventuras amorosas em busca de uma outra pessoa. Tudo, é claro, em vão.


O contraponto do relacionamento de Ana e Marcos é o casal de amigos deles Edi (Luis Rubio) e Lili (Claudia Fontán). Ao que tudo indica os dois também se amam e enquanto eles verbalizam seu amor em grandiloquentes declarações em festas na frente dos amigos mas mantém amantes escondidos, Ana e Marcos preferem olhares mais discretos entre eles. Apesar de render boas cenas, esse contraponto seria mais bem utilizado se optasse por discutir os problemas e contradições da instituição do casamento e como a pressão social para mantê-lo a todo custo mais prejudica uma relação do que a eleva, ao invés de tratar esses problemas como se fossem individuais.

Nesse ponto, o filme parece acreditar que o casamento é algo quase que sagrado e que se há problemas nele é porque os indivíduos são problemáticos e não porque o casamento como instituição é falho. Em termos técnicos o filme oferece a receita pronta de uma comédia romântica; a direção é discreta e a fotografia do filme é tradicional, com exceção de algumas cenas à meia luz bem construídas e a música “Fogo e Paixão” do cantor Wando, que toca mais de uma vez durante o filme, passa a impressão de que o filme também sabe usar o clichê ao seu favor e com humor.

Um comentário:

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