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Suspíria - A Dança do Medo

24.3.19

Suspíria - A Dança do Medo  || Estreia em 11 de abril de 2019


Após dirigir o bem sucedido “Me Chame Pelo Seu Nome” (2017), o italiano Luca Guadagnino retorna aos cinemas com a refilmagem do filme de Dario Argento lançado em 1977, “Suspíria”. O filme conta a história da deslumbrada Susie (Dakota Johnson) que chega à Alemanha Oriental em busca de uma vaga em uma conhecida academia de dança. Entretanto, a primeira cena já indica que a academia não é o que parece: nesta cena, a jovem Patricia (Chloe Grace Moretz) invade o escritório de seu terapeuta em um visível estado de perturbação para contar que havia fugido da academia porque as professoras são bruxas. A versão contada por Madame Blanc (Tilda Swilton) e pelas outras professoras da academia é que Patricia desapareceu após se juntar a um grupo revolucionário.

Em meio a esse sumiço, a desconfiança de outras alunas da academia e o encantamento de Susie, o roteiro, escrito por David Kajganich, tenta traçar um paralelo entre o filme, majoritariamente, entre a rixa interna entre as bruxas que votam para decidir quem será sua nova líder e a Alemanha dividida entre Ocidental e Oriental. O filme se passa na Berlim dividida e faz comentários sobre o Holocausto através do personagem Dr. Klemperer, terapeuta de Patricia, cuja esposa desapareceu logo após eles tentarem fugir da Alemanha nazista. O roteiro ousa na medida em que tenta dar forma à divisão da Alemanha na forma de um grupo de bruxas, entretanto, é uma equivalência que não se concretiza em sua totalidade: não é perceptível se, para o roteiro, as bruxas que sacrificam jovens alunas representam o velho mundo e as alunas são uma alegoria para a juventude alemã. O próprio final do filme traz uma contradição para essa possível teoria e, também, os temas políticos não são desenvolvidos durante o filme, eles parecem estar lá apenas como um plano de fundo para toda a violência mostrada em cena.


Por mais que haja um esforço por parte da edição, feita por Walter Fasano, de realizar quase que uma colagem em formato de filme na medida em que há muitos cortes e imagens que retratam tanto a realidade das personagens quanto seus conflitos internos e sonhos (ou pesadelos) que elas tem, muito do que é apresentado parece apenas uma série desconexa de imagens nas quais mulheres se brutalizam e se destroem por motivos que o roteiro nem sempre indica quais são. A direção se perde por diversos momentos em meio a esses esforços e o resultado é um filme que muito mais choca o público pela violência exacerbada do que de fato conta uma história. O problema não é a violência mas é como ela é usada para mascarar o que parece ser uma falta de substância do roteiro na sua tentativa de contar uma história que vai além de bruxas que sacrificam jovens e dançarinas ao invés de reforçar a narrativa do filme.

O aspecto mais notável do filme é certamente a sua fotografia. Sayombhu Mukdeeprom, também responsável pela cinematografia de “Me Chame Pelo Seu Nome” e de diversos outros filmes de Luca Guadagnino, usou equipamentos dos anos 70 para filmar “Suspíria” e durante uma entrevista disse que o mais importante para ele durante as filmagens e desenvolvimento dos ambientes e suas respectivas cores era de qual era a sensação desses lugares. Como resultado, são notáveis as diferenças entre a casa de Susie em Ohio e a academia de dança em Berlim; as cores e os movimentos que a câmera faz nesses ambientes conseguem dar profundidade para a narrativa do filme que o roteiro e a direção não conseguem.

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