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O Retorno de Ben

18.3.19

O Retorno de Ben || Estreia em 21 de março de 2019
Crítica: Karla Nayra


Uma mãe interpretada por Julia Roberts luta para salvar seu filho Ben (Lucas Hedges) do vício nas drogas. Esta é a primeira camada e também a mais importante apresentada pelo diretor Peter Hedges na primeira metade de O Retorno de Ben (Ben is Back). Na segunda metade, a história se converte a um thriller e a partir daí experimentamos uma progressão dramática muito interessante. Todavia, o roteiro não dá conta de tudo sozinho. O que sustenta a narrativa são as brilhantes atuações de Julia Roberts e Lucas Hedges.

A trama é obviamente familiar, mas um elemento da não-ficção contribuiu para que a atuação de Lucas fosse ainda mais genuína, seu pai o dirigia. Em uma entrevista, ele contou que ter o pai por perto foi importante para sua atuação, pois o fato de se apresentar como um viciado em drogas em frente ao seu pai deu a ele uma capacidade de atuação ainda mais verdadeira. Já Roberts, faz uma mãe despedaçada pelas circunstâncias e mesmo diante da luta contra as drogas se matem perseverante. Os elementos essenciais de sua atuação estão no olhar da personagem. Ela não faz escândalos, tampouco reproduz um drama exagerado. De forma sutil ela transmite no olhar penetrante todo o desespero de uma mãe que luta por seu filho.


O diretor opta por trabalhar o enredo sob o ponto de vista da personagem de Julia Roberts e nos coloca, o tempo todo, em contato com suas angústias. Essa escolha funciona, pois é exatamente o que o espectador sente. Peter Hedges é um diretor marcado por filmes que levantam questões de família e possui uma parte relevante de sua obra voltada às questões humanas mais complexas. Nesse caso, ele propõe um diálogo aberto com o público sobre a dramática questão das drogas.

O filme pode ser observado como uma tentativa de abalar as relações das pessoas com o tema das drogas. É como se todos soubéssemos o que a droga faz, já estamos educados com relação a isso. Todavia, quando acompanhamos de perto uma situação, a verdade é que o futuro é incerto e não se sabe o que irá acontecer. Esta é justamente uma resposta que o filme não dá. Longe de ser moralista, o diretor não diz como se resolve o problema das drogas. Ele apenas apresenta uma história para que possamos pensar sobre o tema sob a ótica de uma mãe desesperada, normalmente a figura mais sensível em casos reais.

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